O comércio Brasil e Canadá começou 2026 em expansão, com destaque para o desempenho das exportações brasileiras, que atingiram US$ 1,83 bilhão no primeiro trimestre. É o maior valor já registrado na história para o período. Os dados são do Quick Trade Facts (QTF), levantamento da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).
O resultado confirma a continuidade da trajetória de crescimento do intercâmbio bilateral, mesmo em um ambiente internacional marcado por instabilidade geopolítica e ajustes nas cadeias globais de suprimento por conta de conflitos mundiais. No período, a corrente de comércio avançou 10%, impulsionada principalmente pela forte alta das importações brasileiras, que cresceram 37% e somaram US$ 755 milhões. O saldo comercial permaneceu favorável ao Brasil, em US$ 1,08 bilhão.
Gráfico elaborado pela Inteligência de Mercado da CCBC que mostra a evolução da balança comercial brasileira (US$ mi FOB) entre jan–mar de 2025 e 2026, com destaque para exportações, importações, saldo e corrente de comércio.
A participação do Canadá em relação a todas as exportações brasileiras ficou em 2,2%, percentual estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Nas importações houve ganho de relevância, subindo para 1,11%, indicando maior presença de produtos do país norte-americano no mercado brasileiro.
Demanda por ouro sustenta desempenho das exportações
O principal vetor das exportações brasileiras no trimestre foi novamente o ouro, cuja demanda internacional se intensificou diante de um cenário de maior aversão ao risco. A busca por ativos considerados seguros tem favorecido produtores globais, entre eles o Brasil, que mantém posição relevante no fornecimento do metal ao mercado canadense.
Além do setor mineral, a pauta exportadora contou com contribuições importantes de segmentos tradicionais, como agronegócio e indústria. Produtos como café, açúcar, carne bovina e aeronaves continuaram presentes no fluxo comercial, ainda que parte deles tenha apresentado desempenho mais moderado em comparação ao observado ao longo de 2025.
“O desempenho do trimestre foi fortemente concentrado no ouro, refletindo um contexto internacional de maior aversão ao risco”, afirma Beatriz Calegare, gerente executiva de Desenvolvimento de Negócios e de Inteligência de Mercado da CCBC. “Ao mesmo tempo, observa-se uma acomodação em outros produtos com vendas mais tradicionais que haviam se beneficiado de condições específicas no ano passado”, emendou.
Importações crescem com fertilizantes
Do lado das importações, o avanço expressivo no trimestre foi puxado sobretudo pelos fertilizantes, que representaram cerca de 44% do total adquirido pelo Brasil e registraram crescimento significativo no período.
A expansão está associada, em grande medida, às disrupções recentes no mercado global desses insumos. Tensões envolvendo Estados Unidos e Irã impactaram rotas logísticas relevantes para o escoamento de fertilizantes produzidos no Oriente Médio e na Ásia, redirecionando parte da demanda para fornecedores alternativos. Nesse contexto, o Canadá ganhou protagonismo por contar com uma estrutura produtiva menos dependente dessas regiões.
“O crescimento das importações no trimestre desta vez foi puxado principalmente pelos fertilizantes, em um contexto de restrições na oferta global e redirecionamento de fluxos comerciais”, ressalta Calegare.
Além dos fertilizantes, destacaram-se as compras de itens da indústria química e farmacêutica, máquinas e equipamentos industriais, bem como produtos do setor aeronáutico, segmentos diretamente ligados à atividade produtiva no Brasil.
Foto Divulgação/Porto de Santos

