Uso de cartões virtuais dispara 89% em apenas um ano no Brasil

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O tradicional cartão de plástico com o logotipo da empresa guardado na carteira está perdendo espaço de forma acelerada no mercado de trabalho brasileiro. Impulsionado pelo avanço das carteiras digitais e por uma forte divisão geracional, o volume de transações realizadas com cartões virtuais de benefícios disparou 89% ao longo do último ano. O dado faz parte do Panorama do RH 2026, estudo divulgado pela Caju a partir da análise de 127 milhões de transações reais de 59 mil empresas, evidenciando que o formato digital deixou de ser uma exclusividade do e-commerce para ditar o ritmo dos pagamentos por aproximação em estabelecimentos físicos.

Se antes o cartão de plástico era o padrão absoluto para o trabalhador almoçar ou fazer compras, os dados de comportamento real desenharam uma transição contínua mês a mês. Em janeiro, os cartões virtuais responderam por 32,6% das operações de benefícios, índice que escalou de forma linear até atingir 43,2% em dezembro.

Em números absolutos, o mercado viu o uso dessa modalidade saltar de 2,7 milhões de transações mensais para mais de 5 milhões no encerramento do período. Essa migração foi diretamente impulsionada pela adoção de benefícios flexíveis e pela tecnologia de aproximação (NFC) via smartphones e relógios inteligentes. No universo dos cartões virtuais, o Apple Pay consolidou-se como o principal vetor, representando 45,8% da média das transações, seguido por compras em plataformas de e-commerce (28%) e pelo Google Pay (19,8%).

O abismo geracional e a resistência dos 40 anos

A pesquisa revela que a velocidade da digitalização financeira é ditada principalmente pela idade do profissional. Entre os trabalhadores mais jovens, o cartão digital já é a escolha majoritária: nas faixas etárias de até 20 anos e de 21 a 30 anos, o uso do ambiente virtual representa 50,9% e 52,4% das transações, respectivamente. De acordo com o relatório, essa parcela da population cresceu habituada a transações financeiras por celulares e confia mais em mecanismos de tokenização do que no plástico tradicional.

Em contrapartida, a dependência do suporte físico aumenta drasticamente à medida que a idade avança. Na faixa dos 31 aos 40 anos, o cartão físico responde por 59,8% dos gastos , saltando para 76% entre profissionais de 41 a 50 anos. O cenário de maior exclusão digital está entre os trabalhadores acima de 50 anos, onde 87,7% das transações ainda exigem obrigatoriamente o plástico em mãos. O levantamento aponta que essa disparidade abre espaço para que as organizações passem a adotar programas internos de educação digital para acelerar a inclusão desse público.

Geograficamente, o Sudeste lidera a curva de maturidade digital do país, com 41,1% das transações corporativas realizadas pelo modelo virtual, seguido de perto pela região Sul, com 39%. O relatório associa o indicador a fatores econômicos locais, como a maior densidade de empresas do setor de tecnologia e serviços e a penetração mais agressiva de maquininhas adaptadas para pagamentos móveis nestas regiões.

Nas demais regiões do país, o processo de transição ocorre de maneira mais cadenciada, com o formato físico ainda predominando no comércio local. O Centro-Oeste registra 36,1% de uso virtual , seguido pelo Nordeste com 35,1% e pela região Norte, que apresenta a menor taxa de digitalização de benefícios do território nacional, com 32,6% das operações em canais digitais.

Embora o cartão físico ainda represente a maioria do volume acumulado no país (56,8% em dezembro) , a tendência de substituição traz impactos diretos para o compliance e para as finanças das empresas.

Do ponto de vista operacional, a emissão imediata da versão digital diretamente no aplicativo reduz o custo logístico de envio e elimina a burocracia do RH com reemissões por perda ou roubo. O fator segurança surge como o principal argumento técnico: diante do avanço de golpes financeiros no país, os cartões virtuais reduzem a exposição de dados e mitigam riscos de clonagem através de sistemas dinâmicos de controle.

Foto Freepik

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