Já está correndo a todo vapor a temporada de Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026, ano-base 2025. Os contribuintes têm até o dia 29 de maio para enviar as informações à Receita Federal, e a recomendação é redobrar a atenção no preenchimento para evitar inconsistências e possíveis pendências com o Fisco. Em 2025, mais de 1,29 milhão de declarações foram retidas em malha fina, o equivalente a 2,8% do total entregue, segundo o Fisco. O número reforça a importância de revisar cuidadosamente os dados antes do envio.
De acordo com Valdir Amorim, especialista da área de imposto de renda da IOB, empresa de inteligência em legislação e sistemas de gestão, a maioria das retenções ocorre por erros simples ou inconsistências nas informações prestadas. “Grande parte dos casos de malha fina poderia ser evitada com mais atenção no preenchimento da declaração e na organização dos documentos. Pequenos erros ou omissões acabam gerando divergências que são facilmente identificadas pela Receita Federal”.
Outro ponto de atenção é o uso da declaração pré-preenchida, que tem se tornado cada vez mais comum. A modalidade traz automaticamente diversas informações já disponíveis na base da Receita Federal, como rendimentos, despesas médicas e dados bancários. Apesar de facilitar o processo, é fundamental que o contribuinte confira todos os dados importados, pois eventuais erros ou informações incompletas continuam sendo de responsabilidade de quem declara.
Confira os principais erros que podem levar o contribuinte à malha fina:
- Informações sobre dependentes
Um erro comum é declarar como dependente uma pessoa que já consta em outra declaração, situação frequente em casos de pais separados. A exceção ocorre quando há mudança na relação de dependência ao longo do ano-calendário, o que deve ser devidamente informado. Outra questão importante é a omissão de rendimentos dos dependentes. - Erros de digitação
A falta de atenção no preenchimento pode gerar inconsistências relevantes. Um simples erro, como esquecer uma vírgula, pode transformar um valor de R$ 100,00 em R$ 10.000,00. Esse tipo de divergência, especialmente em despesas médicas, pode levantar questionamentos por parte da Receita. - Despesas médicas sem comprovantes
Os gastos com saúde estão entre os principais pontos de verificação do Fisco. Só devem ser declaradas despesas que possam ser comprovadas. Recibos e notas fiscais devem ser guardados por, no mínimo, cinco anos. Vale lembrar que despesas reembolsadas por planos de saúde e gastos com medicamentos não são dedutíveis. As despesas médicas não confirmadas continuam entre as situações que mais geram malha fina. - Fontes pagadoras e rendimentos
Todos os rendimentos devem ser informados, inclusive quando há mais de uma fonte pagadora. Isso inclui salários, pró-labore, rendimentos de aluguel e aposentadoria. A omissão de informações pode gerar divergências, por exemplo, quando o proprietário declara o aluguel recebido, mas o inquilino não informa o pagamento, e resultar em penalidades, como multa de até 20% sobre o valor não declarado. - Bens financiados
Ao declarar bens adquiridos por financiamento, na ficha “bens e direitos”, de acordo com o grupo e código do bem, o contribuinte deve informar apenas o valor efetivamente pago até o momento, e não o valor total do bem. Também é importante verificar as características do contrato para evitar erros no preenchimento. - Incompatibilidade entre patrimônio e renda
A Receita Federal cruza dados para verificar se o padrão de vida do contribuinte é compatível com a renda declarada. Aquisições de alto valor sem justificativa, como a compra de um veículo à vista com renda anual baixa, podem levar a questionamentos e retenção da declaração.
Segundo Valdir Amorim, organização e planejamento são fundamentais para evitar inconsistências. “Manter os documentos organizados ao longo do ano e revisar todas as informações antes do envio são atitudes essenciais para reduzir o risco de cair na malha fina”, reforça. Com o prazo já em andamento, a recomendação é não deixar a entrega para a última hora, garantindo tempo hábil para conferência e correção de possíveis erros.
Foto Joédson Alves/Agência Brasil

