Especialistas comentam sobre redução da Taxa Selic para 14,25% pelo Copom

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,25% a.a., dando sequência ao ciclo de calibração da política monetária.

Em sua decisão, o Copom reforça a permanência de um ambiente externo incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio. Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência

No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.


Epecialistas repercutiram a  decisão. Para Natalie Victal, Economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o Copom surpreendeu ao adotar uma postura dovish, recorrendo a uma extensão (‘rolagem’) do horizonte relevante para fundamentar o corte de juros. “Mesmo com a projeção de inflação subindo para 3,7% — superando o consenso de mercado —, o Comitê optou pela flexibilização, utilizando como justificativa técnica o fato de as projeções para o primeiro trimestre de 2028 estarem – nas contas dele – abaixo da meta. Há uma certa contradição no comunicado: o diagnóstico do cenário macroeconômico veio mais preocupado com a inflação (hawkish), reconhecendo a deterioração do balanço de riscos ao incorporar novos riscos de alta: os impactos do El Niño e os estímulos à demanda”, diz.

Para ela conciliar essa leitura mais severa com uma redução de juros e rolamento do horizonte é um exercício complexo que tem potencial para gerar ruído e traz riscos de questionamento da função de reação da autoridade monetária.

Para a economista, o comunicado foi um pouco confuso de modo que a ata será especialmente relevante para entendermos melhor o plano de voo do Banco Central. “Mantemos o risco altista para nossa projeção de Selic de 14%. E nossa avaliação preliminar é que os eventos de hoje – Fed e Copom – aumentaram esse risco na margem”.

 

Segundo Pablo Spyer, Conselheiro da ANCORD, mesmo  cortando a Selic para 14,25%, mas o comunicado veio mais duro. “O Copom reconhece que a atividade econômica continua forte, especialmente nos setores mais cíclicos, e admite que a inflação piorou. As projeções para 2026 subiram de 4,6% para 5,2%, enquanto a inflação esperada para o fim de 2027 avançou de 3,5% para 3,7%, ambas acima da meta. Além disso, as expectativas do mercado também pioraram, passando de 4,9% para 5,3% em 2026 e de 4,0% para 4,1% em 2027. O BC ainda incluiu um novo risco altista: os estímulos ao consumo e à demanda agregada, numa referência indireta à política fiscal expansionista”, frisa.

Para ela, o Banco Central entregou o corte esperado, mas com um discurso mais duro. “A mensagem é clara: a barra para novos cortes ficou mais alta. O ciclo de flexibilização monetária está próximo do fim e, dependendo do comportamento da inflação, do câmbio, das commodities e do cenário fiscal, não está descartada uma pausa prolongada nos juros”.

Roberto Dumas, estrategista-chefe da GCB Investimentos, entende que o Banco Central reconheceu as incertezas no cenário externo, especialmente em relação à guerra no Oriente Médio, destacando que ainda não está claro se a eventual redução das tensões será duradoura.

“Mas o ponto mais importante da comunicação, na minha avaliação, foi a sinalização de um distanciamento adicional das projeções de inflação em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Como destacou o comunicado: “Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados”.
 

Rodrigo Felipe de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, observa o destaque sobre a piora da projeção de inflação no horizonte relevante, que mostrou um maior distanciamento da meta, passando de 3,5% para 3,7% (meta de 3,0%). “Por fim, outro ponto relevante, foi o parágrafo onde nas simulações do BC, o nível de taxa de juros necessário “para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta”.

Foto Marcello Casal JrAgência Brasil

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