A articulação conservadora liderada por Donald Trump na América Latina enfrenta um revés histórico. A derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, a reeleição de Lula no Brasil e a renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), ampliam a crise política do projeto conhecido como Escudo das Américas.
A iniciativa, apresentada por Trump como uma aliança regional de combate ao narcotráfico e ao crime organizado, reúne governos alinhados à direita, entre eles Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador), José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador), Keiko Fujimori (Peru), Abelardo de la Espriella (Colômbia) e Santiago Peña (Paraguai).
A queda de Peña representa mais um golpe para o grupo. O presidente paraguaio renunciou após o escândalo do Ueno Bank, instituição digital que entrou em colapso, deixando aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às contas. A crise provocou investigações, prisões de executivos e ameaças de impeachment. O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o governo.
Nos Estados Unidos, os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado nas eleições de 3 de novembro, impondo uma derrota expressiva ao governo Trump. O resultado foi impulsionado pela insatisfação com a guerra contra o Irã, o custo de vida e a condução política da Casa Branca.
No Brasil, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Flávio Bolsonaro, que defendia incorporar o país ao Escudo das Américas. A vitória brasileira interrompeu a expectativa de expansão da influência trumpista sobre a maior economia latino-americana.
Na Argentina, Javier Milei enfrenta dificuldades econômicas e depende da continuidade do apoio financeiro e político de Washington. A derrota de Trump também coloca em dúvida a sustentação internacional de seu projeto liberal.
Outros aliados, como Bukele, Kast e Noboa, continuam no poder, mas enfrentam questionamentos sobre políticas de segurança, direitos humanos e estabilidade política.
O resultado americano também aumenta a fiscalização sobre as decisões de Trump. Com os democratas controlando as duas casas do Congresso, iniciativas militares, acordos internacionais e políticas de pressão sobre países latino-americanos poderão enfrentar maior resistência.
O Escudo das Américas não desapareceu, mas perdeu força política. A renúncia de Peña, a derrota de Flávio Bolsonaro, a reeleição de Lula e o enfraquecimento parlamentar de Trump indicam que a onda conservadora deixou de avançar sem resistência na América Latina.
O cenário abre espaço para uma nova disputa geopolítica no continente, com governos buscando equilibrar relações com Estados Unidos, China e outras potências. Mais do que uma crise de lideranças, o momento representa um revés para a tentativa de Trump de reorganizar a América Latina sob a influência política de Washington.
Foto IA
Escudo das Américas perde força com derrota de Trump e queda de aliados da ultradireita
