O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à maior crise política e financeira de seu governo. O escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição digital que entrou em colapso após uma intervenção do Banco Central, desencadeou protestos, investigações e uma crise de confiança no sistema financeiro paraguaio.
A instituição, que chegou a reunir cerca de 3 milhões de clientes, teve suas operações interrompidas, provocando preocupação entre correntistas e investidores. O banco também administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores de fundos previdenciários.
Peña afirmou que sua decisão busca preservar a estabilidade nacional e as instituições democráticas. A renúncia ainda depende de formalização institucional, e o vice-presidente Pedro Alliana é apontado como sucessor.
O escândalo ganhou força diante das ligações empresariais entre o presidente e o grupo econômico relacionado ao banco. O Ueno Bank cresceu rapidamente no mercado paraguaio, mas passou a ser questionado por operações de crédito consideradas de alto risco e empréstimos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, conglomerado controlador da instituição.
Peña manteve vínculos empresariais com o grupo até março de 2025, mas nega irregularidades. O caso também provocou questionamentos sobre a fiscalização bancária e possíveis conflitos de interesse no governo.
A crise atingiu ainda o Banco Central paraguaio. Seu presidente, Carlos Carvallo, deixou o cargo após a repercussão de sua ligação profissional anterior com o Ueno. As investigações avançaram sobre executivos e operações financeiras da instituição.
Impactos na economia
A crise ameaça comprometer a imagem do Paraguai como destino seguro para investimentos estrangeiros. Nos últimos anos, o país vinha atraindo capital internacional, inclusive brasileiro, favorecido por uma economia em expansão, incentivos fiscais e custos competitivos.
Entre os principais riscos estão a fuga de capitais, a pressão sobre a moeda, o encarecimento do crédito e a redução da confiança dos investidores. A exposição de recursos públicos e previdenciários ao banco também amplia a preocupação com possíveis prejuízos ao Estado.
Outro efeito é a possibilidade de contágio sobre o restante do sistema financeiro. Mesmo que outras instituições permaneçam operando normalmente, a insegurança dos correntistas pode provocar uma corrida por saques e dificultar a captação de recursos pelos bancos.
O episódio também coloca em dúvida a capacidade dos órgãos reguladores de fiscalizar instituições financeiras com conexões empresariais e políticas.
Desafio para o próximo governo
A eventual saída de Peña não encerra a crise. O futuro governo terá de conduzir a recuperação financeira, garantir transparência nas investigações e proteger os recursos dos correntistas e do Estado.
A sucessão presidencial também será acompanhada pelos mercados internacionais, que avaliarão a capacidade das instituições paraguaias de responder ao escândalo sem comprometer a estabilidade política e econômica.
O caso do Ueno Bank representa um dos maiores testes recentes para a credibilidade institucional do Paraguai. Mais do que uma crise bancária, o episódio expõe os riscos da proximidade entre poder político, interesses empresariais e fiscalização financeira.
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