O e-commerce brasileiro atingiu em 2026 seu maior patamar de penetração registrado na série histórica da pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas. O levantamento aponta que 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais realizaram ao menos uma compra online nos últimos 12 meses avanço de 11 pontos percentuais frente a 2025, o que representa uma estimativa de 139 milhões de compradores online no país, 20 milhões a mais do que no ano passado.
A compra recente, realizada no último mês, avançou de 54% para 66% (+12 pontos percentuais), indicando não apenas crescimento em alcance, mas também em frequência de uso. Paralelamente, o grupo de quem nunca comprou online caiu 6 pontos percentuais, evidenciando acelerada incorporação de novos consumidores ao canal digital.
As categorias mais adquiridas no último mês revelam a consolidação do e-commerce como canal cotidiano: vestuário lidera com 48%, seguido por delivery de comida (42%), remédios e produtos de saúde (36%), cosméticos (33%) e artigos para casa (30%). Itens de maior porte, eletrodomésticos (17%) e eletrônicos (17%), mantêm participação relevante. As apostas esportivas figuram com 10%, sinalizando a capilaridade desse segmento no consumo digital.
O número de compras realizadas no mês anterior a pesquisa também cresceu: a média mensal avançou de 4,6 para 5,1 pedidos (0,5 compras a mais). O perfil de consumidor frequente se consolida, uma vez que a pesquisa mostra que o grupo de compradores com 11 a 20 compras mensais quase dobrou, passando de 7% para 12% (+5 p.p.), enquanto o grupo de 1 a 3 compras recuou 7 p.p.
O ticket médio da última compra online permaneceu estável em R$ 225, praticamente idêntico a 2025 (R$ 224). Mas é relevante notar que 25% dos entrevistados não souberam informar o valor gasto, o que aponta para um padrão de compra fragmentada e pouco monitorada, especialmente entre os mais jovens.
“O comércio eletrônico no Brasil não é mais uma alternativa de consumo ocasional, mas um hábito profundamente incorporado à rotina dos brasileiros. Observamos um aumento expressivo no volume e na frequência das transações, impulsionado pela facilidade de pagamento do PIX e pela busca constante por praticidade e preços competitivos. Esse amadurecimento do mercado reforça a necessidade de o varejo investir continuamente na eficiência de suas operações, na transparência e no fortalecimento do relacionamento com o consumidor”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Pix é a forma de pagamento mais utilizada. 27% relataram algum problema na última compra realizada
O PIX consolidou-se como o principal instrumento de pagamento online: 72% dos consumidores o utilizam, superando o cartão de crédito (60%). A velocidade de adoção do PIX reflete tanto a capilaridade do sistema de pagamentos instantâneos quanto a preferência do consumidor por transações sem taxa e com confirmação imediata.
O frete grátis é o principal critério de escolha de uma loja virtual, citado por 60% dos entrevistados. Preço baixo (49%) e promoções (44%) completam o pódio, evidenciando o viés econômico predominante na decisão de compra.
A taxa de recompra é expressiva: 95% dos compradores já adquiriram novamente no mesmo site ou aplicativo. Preço, frete grátis e qualidade são os principais motivadores de retorno.
O preço mais baixo lidera entre as vantagens percebidas pelos consumidores numa compra online (40%); comodidade (30%), economia de tempo (28%) e variedade de produtos (24%) completam os principais atrativos.
Entre as desvantagens, a impossibilidade de ver ou tocar o produto segue em primeira posição (49%). Não levar o produto na hora (37%), custo do frete (37%) e insegurança sobre a entrega (35%) também permanecem como barreiras relevantes.
Chama atenção o crescimento da incidência de problemas na última compra: de 20% para 27% (+7 p.p.), com entrega fora do prazo (8%), produto diferente do anunciado (7%) e produto danificado (6%) como ocorrências mais frequentes. O que sugere o aumento de frequência de compras pode estar pressionando a cadeia de entrega e o controle de qualidade.
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