Em abril de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que, do total de negativações, 85,95% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro do universo de reincidentes de março, a maior parte (68,53%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 17,41% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 14,05% dos negativados no mês não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.
Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em abril, esse período foi de 71 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.
Os dados do indicador de reincidência mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em abril de 2026, houve um crescimento de 15,05% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores.
“O cenário atual da inadimplência no Brasil atinge patamares alarmantes, configurando um recorde histórico no mês de abril que reflete a fragilidade financeira das famílias. O dado mais preocupante é a velocidade do ciclo de endividamento: o tempo médio entre o vencimento de uma dívida negativada e a próxima pendência encurtou significativamente. Para o devedor reincidente, o intervalo é de apenas 71 dias, o que demonstra que, em pouco mais de dois meses após o primeiro registro, o consumidor já enfrenta um novo descumprimento financeiro. Esse crescimento expressivo no número de brasileiros que retornam ao cadastro de inadimplentes revela que a negativação se tornou um problema crônico e persistente.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Perfil dos devedores reincidentes
A análise do perfil dos devedores reincidentes em abril de 2026 aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 26,18% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 54,40% mulheres e 45,60% homens.O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas do SPC Brasil mostra a evolução do número de consumidores que deixaram os cadastros de inadimplentes por terem realizado o pagamento das suas dívidas em atraso.
São utilizadas as informações de saídas de CPFs das bases às quais o SPC Brasil tem acesso. Em conjunto com os dados de reincidência, esses dados permitem melhor monitoramento da inadimplência no país, que atinge cerca de 44,69% da população adulta.
Recuperação de crédito piora
Paralelamente, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, que acompanha os consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes, registrou queda. Nos 12 meses encerrados em abril de 2026, houve uma redução de -2,92% no número de pessoas que limparam o nome, em comparação com o período anterior.
A queda concentrou-se na diminuição da recuperação de consumidores que levaram de 4 a 5 anos (-15,90%) para quitar suas dívidas.
Observando a abertura por faixa etária dos consumidores que quitaram suas dívidas, o número de consumidores recuperados com participação mais expressiva no Brasil em abril foi da faixa de 50 a 64 anos (24,75%). A participação dos consumidores recuperados por sexo segue bem distribuída, sendo 51,02% mulheres e 48,98% homens.
O valor médio pago por consumidor recuperado em abril de 2026 foi de R$ 2.176,99. Os dados mostram ainda que 61,44% pagaram até R$ 500 nas dívidas que possuíam. “Estamos atravessando o pior abril da história para o crédito no país, marcado por um aumento expressivo no volume de devedores reincidentes em comparação ao período anterior. O que os indicadores revelam é uma barreira cada vez maior para a saúde financeira do cidadão: enquanto a reincidência dispara, a capacidade de recuperação de crédito apresenta queda. Isso sinaliza que o consumidor não apenas está encontrando dificuldades extremas para sair do cadastro de inadimplentes, como também não consegue se manter fora dele após quitar suas dívidas. A inadimplência recorde é alimentada por esse fluxo contínuo de novos atrasos que ocorrem em curtíssimo prazo, evidenciando um cenário de insolvência que desafia a economia nacional.”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
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