Em junho, custo da cesta aumenta em 17 capitais

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Em 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) firmaram parceria para acompanhamento dos preços da cesta básica de alimentos, como contribuição à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento Alimentar.


Um dos frutos da parceria é a ampliação da coleta de preços de alimentos básicos de 17 para 27 capitais brasileiras. Os resultados da Pesquisa nas 27 capitais começaram a ser divulgados em agosto de 2025.
Em junho, o valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 17 capitais brasileiras e diminuiu em outras 10, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Conab.

Entre maio e junho de 2026, os aumentos mais importantes ocorreram em Boa Vista (3,28%), Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%).
São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 965,47), seguida por Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42).

Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 630,40), São Luís (R$ 654,73), Maceió (R$ 671,41) e Natal (R$ 686,07).
Na comparação dos valores da cesta em 12 meses, ou seja, entre junho de 2025 e junho de 2026, houve aumento em 26 capitais. As altas mais expressivas foram registradas em Cuiabá (14,71%), Aracaju (13,12%) e Belo Horizonte (12,52%). Em São Luís, a cesta ficou praticamente estável (-0,09%).

Nos primeiros seis meses de 2026, todas as cidades registraram alta nos preços da cesta básica, com taxas que oscilaram entre 4,02%, em São Luís, e 21,48%, em Fortaleza.

Com base na cesta mais cara, que, em junho, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.

Em junho de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 8.110,92 ou 5 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00. Em maio, o valor necessário era de R$ 7.999,44 e correspondeu a 4,93 vezes o piso nacional. Em junho de 2025, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.416,07 ou 4,89 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.

Cesta x salário mínimo

Em junho de 2026, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas foi de 105 horas e 51 minutos, maior do que o registrado em maio, quando ficou em 105 horas e 50 minutos. Já em junho de 2025, considerando as 27 capitais analisadas, a jornada média foi de 104 horas e 03 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em junho de 2026, 52,02% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em maio, 52,01% da renda líquida.

Em junho de 2025, considerando as 27 capitais analisadas, o percentual médio ficou em 51,13%.

Principais variações dos preços dos produtos da cesta

O preço do café em pó caiu 25 cidades pesquisadas, com variações entre -4,82%, em Goiânia, e -0,39%, em Campo Grande. As altas ocorreram em Macapá (5,37%) e Natal (0,05%). Em 12 meses, o preço do café diminuiu em 25 capitais, com destaque para Rio de Janeiro (-23,82%) e Brasília (-23,36%).

As quedas se devem ao avanço da colheita da safra 2026/2027.
Entre maio e junho de 2026, apenas Macapá (5,98%) registrou aumento no preço do açúcar. Em outras 25 capitais, houve redução do valor médio, com destaque para Rio de Janeiro (-7,16%), Porto Alegre (-4,93%) e João Pessoa (-4,27%).

O preço ficou estável em Palmas. Em 12 meses, o preço caiu em todas as capitais, com variações entre -34,36%, em Belém, e -2,66%, em São Luís. O avanço da colheita de cana-de-açúcar na região Centro-Sul elevou a oferta e diminuiu os preços no varejo.

O preço do óleo de soja ficou menor em 24 cidades, com variações entre -5,43%, em Recife, e -0,35%, em Maceió. Em Macapá, o preço médio não variou, enquanto Aracaju (1,12%) e Manaus (0,65%) registraram altas. No acumulado de 12 meses, o valor médio do produto caiu em 16 capitais, principalmente em Florianópolis (-8,85%) e Manaus (-7,45%).

As altas variaram entre 0,13%, no Rio de Janeiro, e 19,53%, em São Luís. A maior oferta do óleo e a demanda por biocombustível abaixo do que se esperava reduziram o preço do óleo de soja no varejo.

O valor médio do quilo da batata, pesquisada no Centro-Sul, aumentou em seis cidades. A maior alta ocorreu em Porto Alegre (13,86%). Os preços tiveram queda em outras cinco capitais, com destaque para Belo Horizonte (-7,74%).

No acumulado de 12 meses, o valor da batata aumentou em todas as capitais, com percentuais entre 35,72%, em São Paulo, e 79,49%, em Vitória. À medida que a colheita avançou, abastecendo o mercado ao longo do mês, os preços do tubérculo foram diminuindo em algumas capitais.

Foto StockSnap/Pixabay

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