Caso Ana Clara, troca de ataques e frases virais marcam último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Globo

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O último debate presidencial antes do segundo turno, realizado na noite de sexta-feira (23), na TV Globo, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente em um confronto marcado por propostas, críticas à gestão pública e ataques pessoais. O encontro foi mediado pelo jornalista César Tralli e ocorreu dois dias antes da votação, marcada para domingo (25).

Entre os momentos mais comentados estiveram a discussão sobre o caso Ana Clara, as referências à perda de um dedo por Lula e as acusações envolvendo segurança pública, endividamento das famílias e escândalos políticos. Apesar de o formato reservar espaço para propostas, os ataques ganharam força ao longo do programa.

Caso Ana Clara concentra a repercussão

Um dos episódios de maior impacto ocorreu quando Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de envolvimento na morte de Ana Clara, menina de cinco anos atingida por um disparo de fuzil em Niterói (RJ), em 2021. A mãe da criança acompanhava o debate no estúdio.

Flávio prestou solidariedade à mãe, mas afirmou confiar que o policial não foi o responsável pelo disparo. O caso provocou forte reação nas redes sociais e se tornou um dos principais assuntos do confronto. .

“Nove dedos” e “miliciano”

Outro momento de tensão ocorreu quando Flávio se referiu a Lula como “nove dedos”, em alusão à perda de um dedo do presidente em um acidente de trabalho. Lula reagiu e criticou o adversário, utilizando o termo “miliciano”. Na sequência, o senador pediu desculpas pela expressão.

A troca de acusações repercutiu nas redes sociais e reforçou o tom pessoal da disputa, que já havia marcado o debate anterior, realizado pela TV Bandeirantes.

Custo de vida, saúde e segurança pública

Flávio concentrou parte de suas críticas no preço dos alimentos e no endividamento das famílias. Defendeu medidas para renegociar dívidas e prometeu reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação. Também usou a frase “prometeu picanha e entregou abóbora” para criticar o governo petista.

Lula, por sua vez, questionou as propostas do adversário e a possibilidade de adoção, no Brasil, de medidas econômicas semelhantes às do presidente argentino Javier Milei. Na área da saúde, criticou a condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro, enquanto Flávio defendeu investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Corrupção e acusações no bloco livre

Na etapa de temas livres, os candidatos elevaram o tom das críticas e trocaram acusações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master, além de outros episódios políticos. Lula cobrou explicações sobre recursos que Flávio teria solicitado para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador afirmou que não houve dinheiro público envolvido na produção.

O debate também teve referências a programas sociais, apostas on-line e à atuação dos candidatos em cargos públicos. Em diferentes momentos, ambos buscaram associar o adversário a problemas econômicos, políticos e de segurança.

Redes sociais ampliam o alcance do confronto

Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque divulgado pelo UOL, o debate gerou cerca de 2,9 milhões de publicações e 25,5 milhões de interações nas redes sociais. O caso Ana Clara foi o assunto de maior repercussão, seguido por temas como Bolsa Família, salário mínimo e a expressão “nove dedos”.

A avaliação sobre quem teve o melhor desempenho dividiu comentaristas e analistas políticos. Enquanto parte das análises destacou a atuação de Lula nos confrontos sobre segurança pública, outras avaliações apontaram diferenças na estratégia de comunicação e no aproveitamento do tempo de fala.

Com o último debate encerrado, os candidatos seguiram para a reta final da campanha, em uma disputa marcada pela polarização e pela tentativa de conquistar eleitores indecisos.

Foto: reprodução rede social Youtube

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