Campanha no Subúrbio cobra ações emergenciais prometidas pelo prefeito em São Tomé de Paripe

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Os comunicadores e comunicadoras populares do Projeto Rizoma – Conexões Comunitárias por Justiça Climática e Racial, iniciativa do Instituto Commbne, divulgaram a campanha “Bruno Reis é inimigo do Subúrbio?” cobrando respostas da Prefeitura de Salvador diante da crise socioambiental que afeta São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana.

O documento denuncia que, passados cinco meses desde os primeiros registros da contaminação ambiental na praia, centenas de famílias continuam convivendo com os impactos sobre o trabalho, a renda, a segurança alimentar e o direito ao lazer, enquanto aguardam medidas estruturantes de reparação.Em fevereiro de 2026, moradores passaram a denunciar a presença de um líquido azul-esverdeado que emergia da areia da praia, acompanhado da morte de siris, tartarugas e outras espécies marinhas.

As investigações conduzidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) identificaram concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais, principalmente cobre, em áreas próximas ao foco da contaminação. Desde então, a área permanece imprópria para banho, pesca e recreação, conforme orientação do órgão ambiental.

Em abril, a Prefeitura de Salvador realizou a entrega de cestas básicas para 626 famílias afetadas pela contaminação, como medida emergencial. Apesar da ação, moradores e organizações sociais afirmam que o apoio foi insuficiente diante da dimensão dos impactos econômicos e sociais provocados pela interrupção das atividades pesqueiras e da utilização da praia.O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal, que instaurou um inquérito civil para apurar as responsabilidades pela contaminação química, os danos ambientais e os impactos causados às comunidades locais, além de verificar o cumprimento das condicionantes ambientais relacionadas às atividades industriais na região.

Embora a Prefeitura tenha publicado o Decreto Municipal nº 41.834, reconhecendo a situação de emergência ambiental, os recursos federais destinados às ações de recuperação ainda não foram liberados. Enquanto isso, a praia segue interditada, comprometendo a subsistência de pescadores, marisqueiras, comerciantes e trabalhadores que dependem diretamente da atividade econômica e turística desenvolvida no território.

Para o Instituto Commbne, a permanência desse cenário evidencia como o racismo ambiental se manifesta na desigualdade das respostas institucionais destinadas aos territórios negros e periféricos.

“São Tomé de Paripe não enfrenta apenas um desastre ambiental. Estamos diante de uma violação de direitos que compromete o trabalho, a renda, a cultura e os modos de vida das comunidades tradicionais do Subúrbio Ferroviário. A demora na reparação aprofunda desigualdades históricas e reforça a urgência de respostas efetivas do poder público.”, diz Camila França, diretora do Instituto Commbne.

Como estratégia de incidência política, o caso também foi apresentado durante o IV Encontro Internacional da Coalizão Negra por Direitos – Justiça Reparatória e Democracia pelo Bem Viver, realizado entre 29 e 31 de julho de 2026. O objetivo foi ampliar a visibilidade da situação enfrentada pelas comunidades de São Tomé de Paripe e fortalecer a articulação por justiça ambiental, responsabilização dos agentes envolvidos e liberação dos recursos necessários para a recuperação da área afetada.

O Projeto Rizoma é uma iniciativa do Instituto Commbne voltada ao fortalecimento da comunicação popular como instrumento de promoção da justiça climática e racial. Por meio da formação de comunicadores populares, o projeto busca fortalecer a produção de narrativas comprometidas com os direitos humanos, a memória dos territórios e a incidência política das comunidades do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Confira a nota na íntegra:

Não são recentes os registros de vulnerabilidade ambiental no Subúrbio Ferroviário e nas Ilhas de Salvador, ligados a décadas de ocupação urbana, saneamento insuficiente e pressão industrial sobre a Baía de Todos-os-Santos.

Em fevereiro de 2026, moradores de São Tomé de Paripe começaram a relatar e registrar a presença de um líquido azul-esverdeado na praia, além da morte de siris, tartarugas e diferentes espécies da vida marinha. Os primeiros relatos apontavam que, ao escavar a faixa de areia da praia, um líquido aflora do solo e exala odor forte, característico de produto químico ainda não identificado naquele momento.

De imediato, a comunidade viu-se impossibilitada de realizar suas atividades econômicas como a pesca, a mariscagem e a prestação de serviços ligados diretamente ao funcionamento da praia, já que a Base Naval e São Tomé de Paripe são duas das principais áreas de lazer litorâneas da população suburbana. Desde então, são cinco meses de impacto direto e indireto na vida de mais de 800 famílias que seguem desassistidas pela Prefeitura Municipal de Salvador, mesmo após o decreto nº 41.834 de Emergência Ambiental publicado em 08 de junho de 2026, reconhecendo os danos ambientais, sociais e econômicos causados à população local.

Desde maio, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), já investigou e identificou a presença de concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais, principalmente cobre, em áreas próximas ao foco da contaminação, oriunda das atividades das empresas Gerdau e Intermarítima. Segundo o órgão, a área do mar é considerada imprópria para pesca, banho e recreação, conforme a Resolução do Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente – nº 274/2000 e segue interditada desde então.

Assim, perguntamos ao prefeito de Salvador: Qual é a demora para prestar assistência às famílias de São Tomé de Paripe? O decreto de Emergência Ambiental, prevê que os órgãos da administração municipal se mobilizem para a adoção de medidas reparatórias às famílias. A morosidade e invisibilidade do dano ambiental e econômico a esta região da cidade, configura a reprodução arbitrária de racismo ambiental, visto que a população impactada depende diretamente do acesso a um espaço ambientalmente seguro para a reprodução de suas existências.

O que acontece em São Tomé de Paripe, alarma denúncias realizadas incansavelmente pelas comunidades e organizações sociais de Ilha de Maré, que sofrem há décadas com os impactos de contaminação química associada às atividades do Pólo Naval de Aratu. Exigimos que a Prefeitura Municipal de Salvador assuma a responsabilidade de resposta humanitária a essas famílias, e que acione o Governo Federal para captação de recursos que sejam investidos na recuperação ambiental da área degradada. Que as empresas sejam responsabilizadas não apenas com o pagamento de multas, mas com fiscalização frequente para cumprimento das normas ambientais vigentes. O Subúrbio Ferroviário de Salvador exige respeito pleno a sua cidadania e (re)existência!

Foto Divulgação

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