ACM Neto enfrenta incertezas e disputa por espaço na oposição

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Alessandra Nascimento – Editora-chefe


A série sucessiva de derrotas políticas para o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, coloca em xeque seu futuro político, inclusive como liderança e fiel da balança nos bastidores do poder. Após a eleição do segundo turno, Neto sai enfraquecido e com a necessidade de reorganizar seu grupo político e o próprio protagonismo junto à direita baiana.

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 2026 fechou uma das possíveis rotas de ACM Neto (União Brasil) de recuperação do espaço político. ACM Neto que, após perder, pela segunda vez, a disputa pelo governo da Bahia para Jerônimo Rodrigues (PT), era visto como possível ministro no governo de Flávio, cogitando-se nos bastidores do ex-prefeito chegar a ocupar uma pasta ligada ao desenvolvimento regional.

O grande desafio

Sem mandato eletivo, ACM Neto deve manter a liderança como oposição estadual, porém num cenário totalmente diferente de quatro anos atrás. Será necessário demonstrar capacidade de mobilização para continuar competitivo. A votação de mais de 3,6 milhões de votos que teve na disputa estadual sinaliza que ele detém uma base eleitoral expressiva, mesmo que insuficiente para derrotar o PT.

A partir de agora caberá ao ex-prefeito uma análise sobre a reorganização de alianças, buscando fortalecer sua presença no interior baiano, além de fiscalizar o segundo mandato de Jerônimo. Mesmo diante desse cenário adverso não está descartada uma nova candidatura ao governo nas próximas eleições, porém depende de fatores como o desempenho da oposição e a construção de uma alternativa que possa convencer o eleitor.

Disputas no próprio grupo

Neto também vai precisar administrar pendências internas como concorrências dentro do campo oposicionista. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), é um aliado importante, mas vem sinalizando que possui projeto político próprio. João Roma (PL), que foi ex-ministro de Jair Bolsonaro, é outro nome que busca ampliar sua influência na direita baiana.

As lideranças como Zé Cocá e Ângelo Coronel estão presentes nesse tabuleiro de articulações estaduais, e igualmente têm seus interesses e espaços próprios. Sem esquecer dos prefeitos do interior e das suas individualidades políticas e necessidades em seus territórios que precisam ser respeitados e colocados em pauta de discussão com seriedade.


O ônus da derrota presidencial

O apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro não gerou o resultado esperado nacionalmente. Com isso, a derrota também limita a possibilidade de transformar a aliança com o bolsonarismo em acesso imediato ao governo federal.

Agora ACM Neto deve tentar reconstruir seu projeto para 2030. O principal desafio que ele passa a enfrentar é  evitar o isolamento político e impedir que outros nomes ocupem o espaço de liderança que ele mantém atualmente junto a direita baiana. O futuro dependerá de sua capacidade de unificar o próprio grupo político e ampliar adesões e sua força eleitoral no estado da Bahia.

Foto Vittor Sales Divulgação ACM Neto

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