Entre agosto e setembro de 2026, o valor do conjunto dos alimentos básicos apresentou variação positiva nas 27 capitais, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Conab. A alta do mês acompanha tendencia global verificada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) em setembro.
O índice de preços dos alimentos da FAO subiu para o nível mais alto em quase quatro anos, com aumento de 1,5% no mês, chegando à média de 136 pontos, a maior desde novembro de 2022, sob pressão de problemas de logística, devido a conflitos internacionais, e questões climáticas.
Pela Pesquisa da Cesta Básica, os produtos alimentícios registraram as maiores altas na região Centro-Sul, onde é coletada a batata: Florianópolis (7,61%), Rio de Janeiro (7,32%), Porto Alegre (5,93%), Belo Horizonte (5,72%), Curitiba (5,39%), Brasília (5,37%), Vitória (4,95%), Palmas (4,75%), São Luís (4,71%), Cuiabá (4,66%) e Goiânia (4,54%).
São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 922,51), seguida por Florianópolis (R$ 915,62), Rio de Janeiro (R$ 913,46) e Cuiabá (R$ 891,24). Nas cidades do Norte e do Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 587,76), Maceió (R$ 631,28), Salvador (R$ 634,67) e Natal (R$ 635,60). A comparação dos valores da cesta, entre setembro de 2025 e setembro de 2026, mostrou que o custo foi maior em todas as capitais pesquisadas, com variações entre 2,61%, em Boa Vista, e 15,14%, em Fortaleza. No acumulado do ano, ou seja, entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, também foram registrados aumentos em todas as cidades, com taxas entre 3,95%, em Campo Grande, e 16,76%, em Porto Velho.
Com base na cesta mais cara, que, em setembro, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em setembro de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.750,01 ou 4,78 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00. Em agosto, o valor necessário era de R$ 7.565,86 e correspondeu a 4,67 vezes o piso mínimo. Em setembro de 2025, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.075,83 ou 4,66 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.
Cesta x salário mínimo
Em setembro de 2026, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas foi de 102 horas e 11 minutos, maior do que o registrado em agosto, quando ficou em 98 horas e 37 minutos.
Já em setembro de 2025, a jornada média foi de 99 horas e 53 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas, em setembro de 2026, 50,21% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos.
Em agosto, o percentual comprometido foi de 48,46% da renda líquida e, em setembro de 2025, ficou em 49,09%.
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