O mercado de trabalho brasileiro segue em expansão, mas com mudanças importantes no perfil das contratações. Enquanto o regime CLT permanece como principal modelo de vínculo empregatício, cresce de forma consistente a adoção de formatos mais flexíveis, como o trabalho via pessoa jurídica (PJ), impulsionando uma nova dinâmica nas relações profissionais.
De acordo com levantamento da Catho, plataforma gratuita de empregos, a quantidade de anúncios para vagas CLT entre janeiro e março de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, se manteve estável, mesmo sendo o principal regime de contratação no país. Já o modelo PJ (Prestador de Serviço), mesmo tendo menor representatividade no total de vagas, registrou crescimento de 19% no volume de vagas anunciadas, saltando de 11.531 para 13.751 oportunidades no período analisado.
O cenário acompanha o desempenho positivo do mercado formal. Dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o Brasil segue gerando vagas com carteira assinada, com saldo positivo na criação de empregos formais nos primeiros meses de 2026, ainda que em ritmo mais moderado em comparação ao ano anterior. Esse contexto reforça a resiliência do regime CLT, ao mesmo tempo em que abre espaço para a expansão de modelos alternativos de contratação.
Para Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, detentora da Catho, o avanço do modelo PJ deve ser interpretado dentro de um contexto mais amplo do mercado, uma vez que o crescimento das vagas PJ mostra um avanço pontual dentro de uma base ainda predominantemente CLT, refletindo ajustes específicos na estratégia de contratação das empresas.
Segundo a executiva, a mudança também está relacionada ao comportamento dos profissionais: “Ao mesmo tempo, esse movimento reflete uma maior abertura dos profissionais a formatos de trabalho mais autônomos, seja pela busca por maior remuneração líquida, diversificação de fontes de renda ou autonomia na gestão da carreira. Ainda assim, a previsibilidade e os benefícios atrelados ao regime CLT seguem sendo fatores decisivos para grande parte dos trabalhadores”.
A combinação entre estabilidade do modelo tradicional e crescimento de formatos mais flexíveis indica uma tendência de coexistência no mercado de trabalho brasileiro. Empresas passam a adotar estratégias híbridas de contratação, equilibrando redução de custos, agilidade operacional e acesso a talentos especializados, enquanto profissionais avaliam diferentes formatos de vínculo de acordo com seus objetivos de carreira e momento de vida.
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