Podcast Ritmo chega ao último episódio com conversa sobre MPB, cultura Hip-Hop e direito do povo brasileiro

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O Podcast Ritmo, programa que transforma arte, cultura, ancestralidade, comunicação e política em rodas de conversa potentes, chega ao seu 12º e último episódio da temporada neste sábado, 15 de agosto. O encerramento traz um encontro emblemático entre a artista de Hip-Hop Udi Santos e o cantor e compositor Bruno Capinan, um dos nomes de maior projeção da nova MPB. Exibido pela TV Band Bahia e Sergipe, com transmissão simultânea no YouTube e no Spotify, o programa celebra o fechamento de seu primeiro ciclo consolidando a música como um território de disputa e afirmação.

No episódio final, o Ritmo promove um diálogo necessário sobre como a junção da estética da nova MPB com a força do Hip-Hop amplia o direito à existência e ao protagonismo para o povo. Ao refletirem sobre identidade e representatividade, Udi e Bruno discute como essas linguagens musicais, para além da arte, atuam como ferramentas de incidência política, ocupação de espaços e fortalecimento da democracia. “O Hip-Hop é uma cultura, um estilo de vida que envolve música, dança, grafite, conhecimento e a vivência da comunidade. Quando a gente reduz o Hip-Hop a uma solução para a criminalidade, deixa de enxergar todo esse ecossistema e o lugar de fala que ele oferece às pessoas da periferia”, diz.
Já Bruno Capinan reflete sobre a desigualdade no acesso à cultura e na da produção cultural brasileira. “O acesso à música e à arte é muito difícil, porque hoje, quando você tem dinheiro, pode dizer ‘eu sou artista’, mas para muita gente o caminho é muito mais duro. Mas quando a arte move a sua existência, você insiste nela apesar das dificuldades. Não é fácil, vai sofrer, mas vale a pena”, comenta.

Ao longo de três meses e doze episódios, o programa contou com a condução atenta de Midiã Noelle, acompanhada na coapresentação por Raoni Oliveira na primeira etapa da temporada e, posteriormente, por Tiago Banha. Juntos, eles receberam nomes fundamentais da cena cultural, como Larissa Luz, Luedji Luna, Mariene de Castro, Carla Akotirene, Bárbara Carine, Sulivã Bispo, Clarindo Silva, o Polêmico, Matheus Buente, entre tantos outros intelectuais e artistas que ajudaram a traçar a produção contemporânea.

“O conjunto desses episódios desenha um panorama raro da produção cultural baiana, aproximando samba, pagodão, Hip-Hop, teatro negro, literatura e pensamento crítico em conversas que ajudam a compreender a Bahia e o Brasil para além dos estereótipos”, afirma a jornalista e escritora Midiã Noelle. Para Tiago Banha, a proposta sempre foi criar um espaço de escuta onde o público se reconheça, mostrando que a comunicação pública pode ser inteligente e crítica sem se afastar do cotidiano.

Realizado pelo Instituto Commbne no âmbito do projeto Ritmo pela Democracia, o podcast é uma produção da Mansa Filmes – que assina o roteiro e direção –, com apoio financeiro do ICCI (Instituto Comunicação, Cultura e Incidência). O programa, que teve suas gravações sediadas no estúdio da Bahia Cast, deixa um legado claro: a força de tambores, canções, blocos afro e vozes negras é o combustível essencial para pensar o presente e imaginar o futuro do país.

“Ao reunir artistas e intelectuais em conversas que atravessam memória e território, o Ritmo construiu um espaço onde pensamento crítico e expressão popular caminham juntos. Em vez de transformar a política em espetáculo, o podcast prefere transformar a conversa em lugar de reflexão e encontro da luta antirracista”, conclui Noelle, fundadora do Instituto Commbne, celebrando a parceria consolidada com a Band Bahia e Sergipe que permitiu que o projeto ganhasse o alcance necessário para dialogar com o Brasil inteiro.

Foto Divulgação

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