Mercado financeiro comenta IPCA de julho

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Especialistas do mercado financeiro analisam o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho que ficou em 0,07%, sinalizando 0,09 ponto percentual (p.p.) abaixo do 0,16% registrado em junho. O índice foi divulgado mais cedo pelo IBGE. Na visão de Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, O IPCA avançou 0,07%, acumulando alta de 4,44% nos 12 meses até julho, em linha com a nossa expectativa de alta de 0,09%. “Destaque para a queda de 0,67% do grupo alimentação e bebidas, em resposta ao recuo de 1,14% dos alimentos no domicílio. A média dos núcleos acompanhados pelo BC subiu 0,26%. O índice de difusão (% da cesta do IPCA em alta) ficou em 49,6%. O dado de hoje não altera a perspectiva de inflação pressionada ao longo de 2026, com IPCA devendo fechar o ano acima do limite de tolerância da meta (4,50%)”. Para Gabriel Pestana, economista da Genial Investimentos, a leitura foi menos positiva do que os números anteriores. “A alimentação no domicílio seguiu caindo com força como esperado, puxada principalmente por itens in-natura. No entanto, categorias como proteínas, grãos e semi-processados vieram um pouco mais pressionadas, um sinal que vai na contramão do observado no IPCA-15 do mesmo mês. Isso não muda a visão de que alimentos seguem contribuindo positivamente para o cenário de inflação na margem, mas sugere que a sequência recente de surpresas baixistas pode estar perdendo força. O principal ponto de atenção segue nos serviços, que vieram acima do esperado e continuam rodando em patamar elevado no acumulado em 12 meses (5,9%). Ainda assim, parte importante da surpresa ficou concentrada em itens voláteis ou afetados por fatores pontuais, como transporte por aplicativo e conserto de automóvel, e além de alguma normalização em alimentação fora do domicílio. Já bens industriais e preços administrados trouxeram uma composição mais favorável, com surpresas baixistas em itens relevantes como automóveis, vestuário e combustíveis”, diz.

Segundo Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, “O IPCA de julho registrou aceleração para 0,07%, situando-se 7 pontos-base acima da nossa projeção e apresentando uma deterioração na composição qualitativa da inflação. Quanto aos desvios em relação às nossas estimativas, as principais surpresas altistas concentraram-se no segmento de Alimentação. A projeção da casa contemplava um alívio mais acentuado nos preços do grupo; no entanto, a variação observada manteve a mesma intensidade do IPCA-15 de julho — ainda que o nível geral de deflação permaneça expressivo. Na mesma direção, os serviços totais e subjacentes mostraram piora qualitativa, situando-se no teto das expectativas do mercado. O resultado foi impulsionado, sobretudo, por alimentação fora do domicílio, reparo de veículos e transporte por aplicativo. Em decorrência desse cenário, a média dos núcleos avançou de 0,21% no IPCA-15 de julho para 0,26%, revertendo a sequência de quatro leituras consecutivas de melhora qualitativa”.

Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o IPCA de julho trouxe uma notícia boa e outra que merece atenção. “O alívio veio principalmente da alimentação, que caiu 0,67%, com quedas importantes de produtos como tomate, batata e cenoura. Os combustíveis também ajudaram: recuaram 1,44% no mês, com o etanol caindo 2,26% e a gasolina, 1,37%. Mas o investidor precisa olhar além do número cheio. A composição não foi tão tranquila. A média dos núcleos acelerou de 0,21% para 0,26%, e os serviços subjacentes passaram de 0,22% para 0,42%. Os serviços, como um todo, também aceleraram para 0,54%”, no entanto chama atenção para o índice de difusão caiu de 53,58% para 49,30%. “Isso significa que a alta de preços ficou menos disseminada pela economia — um sinal positivo. Então, temos uma fotografia interessante: a inflação cheia está melhorando, mas algumas pressões mais persistentes ainda exigem atenção. E isso conversa diretamente com a ata do Copom divulgada hoje. O Banco Central reconheceu que a inflação está desacelerando e que a política monetária já está produzindo efeitos, mas também reforçou que as expectativas continuam desancoradas e que os juros precisam permanecer restritivos por mais tempo”.

Foto joaogbjunior/Pixabay

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