O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Augusto Vasconcelos, criticou a proposta de corte de aproximadamente R$ 200 bilhões em gastos públicos defendida pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Conhecida como “tesouraço”, a iniciativa pode eliminar até 2,2 milhões de postos de trabalho e provocar uma redução de 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgado nesta quinta-feira (22).
Para Augusto Vasconcelos, os números acendem um alerta sobre as consequências sociais e econômicas da proposta. “Esse corte pode eliminar 2,2 milhões de empregos e redução no PIB. Isso significa menos arrecadação tributária, menos desenvolvimento econômico e menos oportunidades de trabalho. Como secretário do Trabalho, precisamos alertar a população para a gravidade dessas consequências”, afirmou.
O secretário também destacou o risco de retrocessos em um momento em que o Brasil registra a menor taxa de desemprego de sua série histórica. “Estamos vivendo um momento importante para o mercado de trabalho, com o desemprego no menor patamar da história. Se esse corte prosperar, na prática, estamos dizendo que milhões de trabalhadores poderão perder suas oportunidades de sustento. São mães e pais de família que podem ficar sem renda, com consequências diretas para o aumento da pobreza e da desigualdade”, alertou.
Na avaliação de Vasconcelos, a proposta privilegia os interesses do mercado financeiro em detrimento das necessidades da maioria da população. O secretário ressaltou que defender a eficiência da administração pública não significa aceitar medidas que penalizem os mais pobres. “É óbvio que defendemos uma administração pública cada vez mais eficiente, com aperfeiçoamento da gestão e melhor aplicação dos recursos públicos. Mas isso não pode servir de justificativa para cortar programas sociais essenciais, que melhoram a vida das pessoas e garantem dignidade a milhões de brasileiros. Não se pode tratar o orçamento público como uma simples planilha, ignorando que por trás de cada corte existem trabalhadores, famílias e pessoas que dependem de renda para viver”, criticou.
Por fim, o secretário defendeu que a população conheça os impactos das propostas econômicas antes de decidir seu voto. “A classe trabalhadora precisa estar bem informada para escolher que tipo de representante quer para o país. Esse debate precisa chegar à sociedade, porque estamos falando de empregos, renda e dignidade. Não podemos aceitar que os interesses de bancos e bilionários estejam acima dos direitos e das necessidades da maioria do povo brasileiro”, concluiu.
Tesouraço pode reduzir salários, arrecadação e não resolver a dívida pública
Além de ameaçar 2,2 milhões de empregos, o “tesouraço” pode provocar uma redução de R$ 68,7 bilhões na massa salarial e de R$ 46,8 bilhões na arrecadação tributária, segundo o Dieese. A proposta de Flávio Bolsonaro prevê cortes de despesas públicas, redução de estruturas administrativas e revisão de benefícios, mas não apresenta, de forma detalhada, como cada medida contribuiria para alcançar a economia de R$ 200 bilhões.
O estudo alerta ainda que os cortes podem desacelerar a atividade econômica, reduzir o consumo e diminuir as receitas do governo, dificultando o equilíbrio das contas públicas. Além disso, a iniciativa não enfrenta diretamente o peso dos juros sobre a dívida pública, um fator decisivo para sua trajetória. Na prática, o país pode perder empregos, renda e arrecadação sem ter garantida a solução para o endividamento.
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