Jerônimo leva vantagem na estreia do horário eleitoral

Você está visualizando atualmente Jerônimo leva vantagem na estreia do horário eleitoral

Quem não é o maior tem que ser o melhor. A velha máxima parece ter encontrado tradução perfeita na estreia da propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão na Bahia. A coligação de ACM Neto dispõe de mais tempo de exposição, mas, no primeiro dia, foi a campanha de Jerônimo Rodrigues que apresentou maior capacidade narrativa e uma linguagem mais afinada com o eleitor.

A diferença não esteve apenas no conteúdo, mas principalmente na forma de apresentá-lo. Enquanto os programas de ACM Neto, seus senadores e candidatos a deputado recorreram a formatos conhecidos e pouco ousados, a equipe de Jerônimo apostou em ritmo, criatividade e uma comunicação mais próxima daquela que o público já consome diariamente nas redes sociais.

Nos programas do time de Jero, Correria e Galego, o humor apareceu como elemento de conexão com o eleitor. A edição foi mais dinâmica, as imagens ajudaram a contar as histórias e a linguagem procurou fugir do padrão engessado tradicionalmente associado ao horário eleitoral. O resultado foi uma propaganda com maior movimento e potencial de prender a atenção.

Do outro lado, prevaleceu uma fórmula mais convencional. O ritmo mais lento e a repetição de formatos conhecidos produziram uma impressão de campanha menos vibrante. Ter mais minutos, nesse caso, não significou necessariamente ter mais capacidade de comunicação.

A chamada “entrevista diamante”, utilizada pela campanha de ACM Neto, também não parece ter alcançado o efeito pretendido. Mal editado, o formato terminou numa tentativa de produzir emoção que soou artificial. A encenação de um momento de choro, em vez de aproximar o candidato do eleitor, acabou chamando atenção justamente pela falta de espontaneidade.

Há ainda um problema de discurso. Fica difícil prometer uma elevação da qualidade da educação como se nada tivesse sido feito quando, no programa adversário, o eleitor vê imagens reais das escolas em tempo integral e dos avanços apresentados pela atual gestão. A propaganda de Jerônimo procura transformar realizações em narrativa política.

Na televisão e no rádio, portanto, a disputa não se resume à quantidade de minutos. Tempo é importante, mas não substitui criatividade, ritmo e capacidade de contar uma história. Na estreia, quem tinha mais espaço acabou parecendo ter menos a dizer.

Foi apenas o primeiro capítulo de uma disputa que ainda terá muitos programas e certamente corrigirá rumos. Mas a largada deixou uma lição: no horário eleitoral, o maior tempo pode dar vantagem matemática. A qualidade da comunicação, porém, é capaz de transformar o menor em melhor.

Foto: Matheus Landim/GOVBA

Compartilhe:

Deixe um comentário