Os investimentos em infraestrutura e energia no Brasil podem superar R$ 1 trilhão em um horizonte de quatro anos, considerando os aportes realizados desde 2023. A estimativa é do Itaú BBA, a partir de análises que combinam informações públicas, projetos já estruturados nas diferentes esferas governamentais e bases proprietárias do banco.
Em 2025, os investimentos realizados somaram cerca de R$ 280 bilhões. Para 2026, a expectativa é de manutenção do ritmo, com viés de crescimento de até 8%. Este volume, representa aproximadamente 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo do patamar de referência para países emergentes, estimado em torno de 4%, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“O Brasil reúne condições favoráveis para ampliar os investimentos, considerando o déficit histórico em infraestrutura, um pipeline de concessões muito atrativo, uma matriz energética limpa e competitiva, a evolução regulatória recente e um mercado de capitais robusto e com fontes de funding diversificadas. A infraestrutura é um vetor central para o crescimento econômico e competitividade do país”, afirma José Rudge, co-head da diretoria de Infraestrutura & Energia do Itaú BBA.
Os investimentos recentes seguem majoritariamente liderados pelo setor privado, que respondeu por cerca de 85% do volume total aportado em 2025. Entre os segmentos, rodovias e saneamento concentraram parcela relevante dos recursos, refletindo o avanço dos programas de concessões e o fortalecimento do ambiente regulatório.
No setor rodoviário, o pipeline de projetos permanece robusto, sustentado por rodadas recorrentes de concessões e contratos de longo prazo. No saneamento, o novo marco regulatório tem destravado projetos estruturantes e ampliado a previsibilidade para investidores, criando um ambiente mais favorável à atração do capital privado.
O financiamento dos projetos também tem passado por um processo de diversificação, com maior protagonismo do mercado de capitais, especialmente por meio de debêntures incentivadas e estruturas que combinam recursos públicos e privados. Em 2025, a partir de dados do ranking Anbima, o Itaú BBA foi o líder na originação de debêntures incentivadas no mercado brasileiro, com market share de 26%.
“Uma próxima rodada de capital tende a ser relevante para viabilizar novos projetos e endereçar as lacunas de investimentos nos diferentes setores, em um contexto ainda marcado por um gap relevante de infraestrutura no país. Mesmo em um ambiente de juros elevados, vemos a continuidade do fluxo de investimentos, com espaço para aceleração à medida que o ambiente macroeconômico evolua. Notamos também o aumento do interesse de investidores estrangeiros, associado ao horizonte de longo prazo dos projetos e às características estruturais do país, como o dinamismo do mercado consumidor e a abundância de recursos naturais”, afirma Eduardo Corsetti, co-head da diretoria de Infraestrutura & Energia do Itaú BBA.
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