Ex-ministro Geddel Vieira Lima avalia cenário político na Bahia e aponta “falta de nitidez” em ACM Neto

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Alessandra Nascimento – Editora

Em entrevista ao site Café com Informação sobre o panorama político pós-eleitoral na Bahia e no Brasil, o ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima apontou os fatores que, em sua visão, levaram à derrota do grupo oposicionista no estado. Segundo o político, o principal erro cometido por ACM Neto foi a “falta de nitidez” em suas posições políticas ao longo da campanha.

Para Geddel, o comportamento de ACM Neto diante do eleitorado e das alianças nacionais cobrou um preço alto nas urnas, afetando inclusive nomes fortes do seu grupo, como o atual prefeito de Salvador, Bruno Reis.

O “erro da falta de nitidez” e o impacto nas urnas

Segundo Geddel Vieira Lima, um político precisa deixar claras as suas convicções para a sociedade, mesmo sob o risco de errar. Ele avalia que ACM Neto cometeu o mesmo erro estratégico em dois momentos seguidos. “Talvez um dos grandes defeitos do homem público, é a falta de nitidez nas suas posições. Certo ou errado, o político tem que colocar com clareza para a sociedade as suas posições. E é a segunda vez que o ACM Neto comete o mesmo erro de tentar enganar o eleitorado por falta de nitidez das suas posições. Lá atrás foi a história do ‘tanto faz’, e agora foi usar o Ronaldo Caiado como escudo, para não ter que se manifestar quem era o seu verdadeiro candidato desde o início, voltado mais para a direita, para a extrema-direita”, avalia Geddel.

O ex-ministro apontou que a mudança brusca de postura no segundo turno acabou gerando frustração no eleitorado. “Na hora que vem o segundo turno e ele abraça a candidatura de Flávio Bolsonaro, perante o eleitorado cai a máscara. E esse eleitorado o olha com decepção, se sentindo enganado, se sentindo traído. E ele pagou o preço com uma derrota seríssima no estado e em Salvador, sobretudo”, cita.

Desgaste da oposição e reflexos em Bruno Reis

Ainda sobre os desdobramentos da disputa eleitoral, Geddel afirmou que o enfraquecimento do grupo de oposição compromete as projeções do bloco para as próximas disputas municipais e estaduais. Ele destacou que esse desgaste acabou atingindo diretamente o prefeito da capital baiana, Bruno Reis.

“Ele (ACM Neto) sai extremamente desgastado e questionado dentro do próprio grupo, com muitas dificuldades para a eleição tanto na capital como no interior, sem oferecer perspectivas de esperança. E o pior de tudo é que ele termina arrastando Bruno Reis, que era a liderança mais vista para dar sequência para o trabalho do grupo”, analisa.

Sobre os demais nomes que compuseram a chapa oposicionista e o cenário para os próximos anos, Geddel Vieira Lima ponderou que todo o grupo saiu enfraquecido e que o futuro da oposição dependerá de como o cenário nacional vai se desenhar até 2030.

“Todos eles saem conjuntamente muito fragilizados. Daqui para 2030, eu não tenho, sincera e honestamente, nenhuma capacidade de prever, porque tudo também estará vinculado ao sucesso desse governo do presidente Lula, às entregas, à consolidação de melhorias econômicas, a resultados de políticas sociais”, considera.

Fortalecimento de Jerônimo Rodrigues e o peso do governo federal

Em contrapartida, Geddel destacou a consolidação de Jerônimo Rodrigues (PT) no comando do Executivo baiano e projetou um papel de relevância nacional para o governador.

“Do ponto de vista de Bahia, se consolida a liderança do governador Jerônimo Rodrigues como integrante de uma nova geração petista. Ele se cacifa no estado e nacionalmente. Tem grandes entregas para fazer como a ponte Salvador-Itaparica — que com a vitória do presidente Lula se torna ainda mais viável —, e desponta como um grande nome nacional do PT”, diz.

Ao ser questionado sobre ter previsto as dificuldades enfrentadas por ACM Neto ainda no início da disputa, o ex-ministro rejeitou a ideia de ter uma “bola de cristal” e atribuiu suas leituras à bagagem política e aos aprendizados de erros passados.

“Não era bola de cristal não, viu? Era experiência. E muito fruto de um erro em dimensão diversa que eu cometi em 2010. Eu vi a dificuldade de você sair para uma eleição majoritária num estado como a Bahia sem uma forte ‘bengala’ nacional. Porque isso vem até da época do avô dele [ACM], que ditava as normas. Ele dizia que estados pobres como a Bahia não têm condição de levar adiante grandes projetos sem uma parceria sólida com o Governo Federal,” finaliza.

Foto: reprodução redes sociais

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