A prévia da inflação divulgada pelo IBGE mostra desaceleração e fica em 0,41% em junho. A análise é de especialistas do mercado financeiro ouvidos pelo site Café com Informação.
Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORDO, o IPCA-15 de junho trouxe uma notícia moderadamente positiva para o mercado. A chamada prévia da inflação oficial veio abaixo das expectativas, com alta de 0,41%, e o mais importante foi a melhora dos núcleos e dos serviços subjacentes, indicadores que o Banco Central acompanha de perto para medir a tendência da inflação.
“Apesar de o acumulado em 12 meses ainda permanecer elevado, em 4,8%, acima do teto da meta, o dado reforça a percepção de que a inflação mais persistente começa a perder força. Isso ajuda a explicar a queda dos juros futuros nesta manhã e aumenta a confiança de que o ciclo de flexibilização monetária pode continuar nos próximos meses.Por outro lado, ainda não há espaço para comemoração. A inflação segue pressionada por alimentos e energia elétrica, e as expectativas para os próximos anos continuam desancoradas, o que exige cautela do Banco Central”.
Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos entende que, no caso de serviços, o alívio veio concentrado em alguns itens, o que recomenda cautela na leitura. “Ainda assim, o resultado ajuda a manter a discussão de que a inflação de 2026 pode já ter atingido o pico.Considerando os itens em comum com o IPCA cheio, o número sugere cerca de -2bps para a nossa projeção do índice fechado. No geral, ainda é uma inflação ruim, mas o dado traz alguma moderação na margem dos núcleos”.
Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos avalia que, com este resultado, a taxa acumulada em 12 meses desacelerou de 5,27% para 4,80%. “O principal impacto altista no mês veio do grupo Alimentação e Bebidas, que subiu 0,74%. Apesar disso, o grupo registrou uma desaceleração relevante na margem (vinda de 1,38% em maio) e surpreendeu positivamente ao ficar abaixo das expectativas. Destaque de alta também para Habitação que subiu 0,72%. No sentido oposto, Transportes registrou leve deflação de -0,03% (est. -0,33%). Na abertura por categorias, os Preços Administrados subiram 0,27% (est. 0,22%), enquanto os Preços Livres avançaram 0,46% (est. 0,45%). Em livres, os Serviços variaram 0,40% (est. 0,36%), puxados pela alta de 7,24% em Passagens Aéreas”, entretanto faz observações:”os Serviços Subjacentes apresentaram desaceleração recuando de 0,53% em maio para 0,27% em junho. Acompanhando esse alívio qualitativo, a Média dos 5 Núcleos de inflação desacelerou para 0,34% (vinda de 0,49% em maio). O Índice de Difusão Geral também recuou na ponta, passando de 65,1% para 60,2%”.
Para Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, o IPCA-15 de junho veio abaixo do esperado, com alta de 0,41% no mês, ante nossa projeção de 0,46% e expectativa de mercado de 0,44%. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,80%. “A leitura é benigna para a inflação, principalmente porque todos os grupos de preços livres surpreenderam para baixo, reforçando a perspectiva de desaceleração nos próximos meses, especialmente em alimentos e serviços. Núcleos corroboram essa interpretação, com todos os cinco surpreendendo bem para baixo. Em alimentação no domicílio, a alta de 0,87% também ficou abaixo da nossa projeção, com boa parte dos riscos baixistas se materializando. Os destaques foram carne bovina e tubérculos, que contribuíram para a surpresa negativa no índice, enquanto itens relevantes e mais inerciais, como café e arroz, também ficaram abaixo ou em linha com o esperado. O resultado deve levar a revisões baixistas para o grupo nos próximos meses”, diz.
Foto Marcello Casal JrAgência Brasil

