O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes dos juros. A decisão, esperada pelo mercado, reforçou a preocupação com a inflação, as incertezas externas e a deterioração das expectativas econômicas.
Apesar da desaceleração da atividade econômica, o Banco Central sinalizou que a prioridade continua sendo o controle dos preços. A projeção de inflação para o segundo trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, subiu de 3,2% para 3,5%.
Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, a decisão foi acertada. “Não há espaço confortável para reduzir juros neste momento”, afirmou. Segundo ele, a retirada da palavra “calibração” do comunicado é um sinal de que o ciclo de cortes pode ter chegado ao fim.
Cristiano Oliveira, diretor executivo do Banco Pine, também avalia que a pausa poderá se prolongar. “O comunicado é compatível com a manutenção da Selic em 13,75% na última reunião do ano”, destacou. Para ele, a retomada dos cortes dependerá de melhora das expectativas inflacionárias e da evolução do cenário fiscal.
Na mesma linha, Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, afirma que a manutenção dos juros restritivos continuará necessária até que haja sinais mais claros de convergência da inflação para a meta.
Já Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, considera o comunicado cauteloso, mas sem indicar uma tendência imediata de alta. “A barra para debater alta é elevada”, avaliou, destacando que o Banco Central seguirá dependente dos indicadores econômicos.
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, adota uma perspectiva mais preocupante. Para ele, a recente desvalorização cambial e a pressão sobre os ativos financeiros podem elevar a inflação e exigir novos aumentos dos juros. “Muito provavelmente deverá fazer com que o próximo Copom tenha que elevar a taxa de juros”, afirmou.
O cenário aponta para uma política monetária mais prolongada em patamar restritivo. A evolução do dólar, dos preços do petróleo, das expectativas de inflação e da política fiscal será decisiva para definir os próximos passos do Banco Central.
Foto Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
