Brasil recebe jovens talentos ibero-americanos da Química para competição e celebra 30 anos de integração científica

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Fortaleza recebe, de 13 a 19 de outubro, a XXX Olimpíada Ibero-Americana de Química (OIAQ), que reúne estudantes de ensino médio e mentores de 15 países da América Latina e da Península Ibérica. Realizado pela Associação Brasileira de Química (ABQ), com apoio da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o evento chega pela primeira vez ao Ceará e celebra três décadas de atividades ininterruptas voltadas ao estímulo do interesse pela Química e à aproximação entre jovens talentos de diferentes países.

Para o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, apoiar iniciativas que aproximam os jovens da Química é também contribuir para o futuro da ciência, da indústria e do país. “O desenvolvimento de um país passa pela sua capacidade de formar pessoas, produzir conhecimento e transformar ciência em inovação. Ao estimular o interesse dos jovens pela Química, a Olimpíada contribui para formar uma nova geração de talentos que será fundamental para ampliar a capacidade científica e tecnológica do Brasil, sobretudo em uma área estratégica como a Química, que está presente em praticamente todos os setores da economia”, afirma.

A programação da XXX OIAQ será realizada em conjunto com o I Encontro Ibero-Americano de Química (EIAQ), iniciativa que amplia a agenda do evento para incluir pesquisadores, professores e estudantes de diferentes níveis de formação. A proposta é promover intercâmbio científico, compartilhar experiências em ciência, tecnologia e inovação e estimular a cooperação entre instituições dos países participantes.

Três décadas de integração pela Química
A Olimpíada Ibero-Americana de Química teve início em 1995, em Mendoza, na Argentina, e chega à sua 30ª edição em 2026. O Brasil é um dos países fundadores e participou de todas as
edições da competição. Antes de Fortaleza, o evento foi realizado outras quatro vezes no país – duas no Rio de Janeiro e duas em Teresina, no Piauí.

A escolha do Ceará para sediar a edição comemorativa tem um significado especial para a história das Olimpíadas de Química no Brasil. Foi na Universidade Federal do Ceará (UFC) que teve início o movimento que em 1995 deu origem ao Programa Nacional Olimpíadas de Química (PNOQ), coordenado pelo Prof. Sérgio Melo, e hoje pela Profa. Nilce Gramosa, responsável por articular competições estaduais, nacionais e regionais em todo o país e ainda, a participação em competições internacionais.

Em 2025, ano em que completou 30 anos, o PNOQ envolveu cerca de 488 mil estudantes de todos os estados brasileiros. A iniciativa reúne 27 olimpíadas estaduais e do Distrito Federal, quatro olimpíadas nacionais – Olimpíada Brasileira de Química (OBQ), Olimpíada Brasileira de Química Júnior (OBQJr), Olimpíada Brasileira do Ensino Superior de Química (OBESQ) e Olimpíada Nacional Feminina de Química (Quimeninas) – e uma competição regional, a Olimpíada Norte-Nordeste de Química (ONNeQ).

A trajetória das olimpíadas também tem contribuído para a formação de novas gerações de profissionais. Ao longo dos anos, estudantes que participaram das competições seguiram carreiras acadêmicas e científicas e, posteriormente, passaram a atuar como professores universitários, pesquisadores e também na organização das próprias olimpíadas.

Brasil entre os destaques da competição


A participação brasileira também tem se destacado nas edições internacionais. Na OIAQ realizada em 2024, em Heredia, na Costa Rica, estudantes brasileiros conquistaram o primeiro lugar nas provas teórica e experimental. No ano seguinte, durante a edição realizada na Cidade do México, a programação incluiu um encontro voltado ao intercâmbio de experiências científicas e educacionais entre os países participantes. Já em 2026, os estudantes brasileiros também se destacaram em duas importantes competições internacionais de Química, com três medalhas de bronze na Olimpíada Internacional Mendeleev de Química (IMChO), realizada na Rússia, e outras três medalhas de bronze na Olimpíada Internacional de Química (IChO), no Uzbequistão.

Em Fortaleza, além das atividades próprias da competição, a programação científica do EIAQ reunirá trabalhos e pesquisadores de diferentes áreas da Química, como química analítica e instrumental, produtos naturais, biocatálise, materiais, biocombustíveis, polímeros, química medicinal, ambiental, forense e ensino de Química.

O encontro contará ainda com apresentações de trabalhos em formato de pôster, palestras e atividades práticas. Ao final, serão concedidos certificados aos melhores pôsteres nas categorias de graduação e pós-graduação.

Programação reúne competição, ciência e intercâmbio
A abertura oficial da XXX OIAQ e do I Encontro Ibero-Americano de Química será realizada no dia 14 de outubro, às 10h, no Centro de Ciências da UFC. A programação inclui conferência e minicursos ao longo do dia.

No dia 17, a agenda científica será retomada com palestras de pesquisadores do Brasil e de instituições da Inglaterra, Portugal, Cuba, Panamá, Uruguai e Costa Rica.

Entre os temas estão aplicações de porfirinas em terapias fotodinâmicas, ciclização de peptídeos, nanomateriais, identificação de substâncias em embalagens plásticas, nanopartículas com atividade biológica e ensino de Química.

Também estão previstas duas oficinas conduzidas pelo PET Química da UFC, coordenadas pela professora Ruth Maria Bonfim Vidal, com atividades práticas sobre extração de cobre de placas de circuito impresso e produção de sabão a partir de óleo de cozinha usado.

O encerramento do EIAQ e a premiação dos melhores pôsteres estão previstos para o dia 17, enquanto a cerimônia de premiação da XXX OIAQ será realizada no dia 19 de outubro.

Ao reunir estudantes, professores, pesquisadores e representantes de diferentes países, a XXX Olimpíada Ibero-Americana de Química reforça o papel da ciência como espaço de formação, intercâmbio e cooperação e marca, no Ceará, três décadas de uma iniciativa que aproxima jovens talentos da Química e estimula novas vocações para a ciência.

foto Divulgação

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