Durante mais de três horas, na manhã desta quinta-feira (9), a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), integrante da Comissão de Educação da Câmara de Salvador, percorreu escolas da rede municipal na região da Boca do Rio e Pituaçu, constatando obras paradas, com prejuízo para o aprendizado dos alunos. No final ela anunciou que enviará ofício à Secretaria da Educação, solicitando esclarecimentos e audiência com o secretário Thiago Dantas para discutir a situação da Escola de Pituaçu (a original e a provisória) e da Metodista Susana Wesley, além da Creche José Maria de Magalhães Neto.
“A situação é estarrecedora e a prefeitura precisa dar explicações à sociedade. Só espero que o prefeito não diga de novo que é fake news, como ele fez quando denunciamos a paralisação das obras da Escola do Curralinho, no STIEP, destinada a crianças e adolescentes com autismo. Não é fake não, estou aqui chocada com o abandono das escolas”, reagiu.
Ratos e infiltração
Na Escola de Pituaçu não apareceu um trabalhador para abrir o portão, inviabilizando a visita. De lá a vereadora se deslocou para a escola improvisada pela prefeitura, no Imbuí, para abrigar os 273 alunos, a princípio por um período de oito meses, mas que já dura quase três anos. “A escola alugada já está deteriorada porque também não teve manutenção. Vimos problemas sérios nas instalações elétricas e sanitárias, sem falar que os alunos estão todo esse tempo em sistema de rodízio, sem o cumprimento do tempo integral”, denunciou Aladilce.
Na Creche José Maria de Magalhães Neto, em Pituaçu, a vereadora falou com um dos responsáveis pela obra, que também se arrasta há quase três anos, mas não teve permissão para entrar. Moradores registraram o prejuízo para as famílias, sobretudo as mulheres que trabalham fora, a falta do equipamento.
Na Escola Municipal Metodista Susana Wesley, na Boca do Rio, a obra está parada desde junho do ano passado, aguardando nova licitação para conclusão. Entre os absurdos constatados por Aladilce, uma sala construída sem porta: “Funcionários confirmaram que uma parede precisou ser quebrada para fazer a porta, por mais incrível que pareça. O refeitório foi transferido para a entrada do prédio, devido a infiltrações. Até infestação por rato foi relatada”.
Na unidade, dos quase 600 alunos cerca de 100 são neurodivergentes com laudo médico atestando a condição. “E não há estrutura adequada para dar suporte pedagógico a esses estudante. Até a planta da ampliação precisou ser refeita porque não previa sequer rampa para assegurar a inclusão”, frisou.
Tudo indica, segundo ela, que muita coisa vai ter que ser refeita, devido a erros grotescos nas obras. “Enquanto isso, as crianças estão amontoadas e com os horários e cronograma de aulas prejudicados, porque as obras estão paradas ou se arrastando. Precisamos explicações da gestão, quem não tem o que esconder não precisa fechar as portas à fiscalização do Legislativo”, provocou Aladilce.
Foto: Ângela Ramos/Divulgação
