Alunos do curso de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos participam de voto simulado em Salvador

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Aos 59 anos, Edmara Santos Santana, aluna do curso gratuito de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos da Estácio e do Instituto Yduqs, participou nesta quarta-feira (24), em Salvador, de um voto simulado que transformou o processo eleitoral em uma experiência prática de aprendizagem. Com candidatos fictícios, apresentação de propostas, debates e uma urna simbólica, a atividade mostrou aos estudantes que aprender a ler e escrever também significa conquistar autonomia para participar de situações do cotidiano e exercer a cidadania.


Moradora da Boca do Rio, Edmara voltou a estudar depois de adulta. Durante anos, teve dificuldade para ler placas, identificar destinos de ônibus e compreender textos simples. “Não saber ler é como ser uma pessoa cega. É não saber nada”, conta. Hoje, ela já reconhece avanços que antes pareciam distantes. “Hoje em dia eu já leio alguma coisa. Não leio muito, mas leio alguma coisa.”


A proposta do voto simulado foi justamente aproximar a alfabetização de uma situação concreta da vida em sociedade. Durante a atividade, os estudantes conheceram as atribuições de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual e participaram das diferentes etapas de uma eleição.


Os alunos do módulo 2, que já dominam leitura e escrita, puderam se candidatar simbolicamente e apresentar propostas para áreas como educação, saúde, moradia e segurança. Já os estudantes do módulo 1 participaram dos debates e da construção das propostas, trabalhando principalmente a oralidade e a compreensão do processo eleitoral.


Para Marialva Gargur, coordenadora do curso de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos da Estácio Bahia, a atividade também contribui para desenvolver a consciência sobre o voto. “A ideia é mostrar a importância do voto, de conhecer as funções de cada cargo antes de escolher o candidato. Eles vão aprender, debater, apresentar propostas e vivenciar todo o processo de uma votação”, explica.


A iniciativa reforça uma proposta central do curso: mostrar que o conhecimento adquirido em sala pode ser aplicado em situações reais e contribuir para a autonomia dos estudantes.

No caso da alfabetização de adultos, ler e escrever não significa apenas dominar palavras e frases, mas também compreender informações, fazer escolhas e ampliar as possibilidades de participação na sociedade.


Dados recentes do IBGE apontaram que a taxa de analfabetismo no Brasil ficou abaixo de 5% pela primeira vez na história. Mesmo diante desse avanço, a alfabetização de jovens e adultos continua representando uma oportunidade de inclusão e de retomada de trajetórias educacionais interrompidas.

Foto Divulgação

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