A Escola Municipal do Curralinho perdeu 20% da obra entre uma declaração e outra da Prefeitura de Salvador. Em setembro de 2024, durante a campanha pela reeleição, Bruno Reis afirmou que o equipamento estava 90% concluído. Em março deste ano, a Secretaria Municipal da Educação informou que o avanço físico era de aproximadamente 70%. Para a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), “a conta que fez a obra andar para trás precisa ser explicada”.
A parlamentar observa que, na mesma entrevista em que anunciou os 90%, Bruno vinculou as políticas municipais de inclusão à gestão de ACM Neto. Na avaliação de Aladilce, “o prefeito não pode recorrer ao antecessor para dividir os louros e tentar isolá-lo quando aparecem os problemas. Bruno é o sucessor político de Neto e administra Salvador com o mesmo grupo há 14 anos”.
Inquérito civil
A contradição entre os percentuais divulgados pela própria administração dá novo peso ao inquérito civil aberto pela Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público de Salvador. A investigação atende a uma Notícia de Fato apresentada por Aladilce no início de julho e deverá apurar supostas irregularidades no contrato entre a Prefeitura e a Nordeste Engenharia.
Na representação, a vereadora informa que mais de R$12,5 milhões foram pagos sem que a escola fosse entregue. Depois de rescindir o contrato, acrescenta Aladilce, a Prefeitura contratou novamente a mesma empresa por cerca de R$6,5 milhões. O custo estimado da obra já supera R$19 milhões. Para a parlamentar, além do destino dos recursos, o município terá de esclarecer ao MP-BA qual dos percentuais anunciados corresponde à realidade.“O Ministério Público ouviu minhas denúncias. Estive lá duas vezes”, declarou. Aladilce lembra que Bruno Reis chegou a anunciar a retomada da construção “a todo vapor”, mas afirma não ter encontrado trabalhadores no canteiro durante as visitas. “Não tinha vapor nenhum”, ironizou.
A vereadora registrou a situação em vídeo e também encaminhou ofício à Secretaria da Educação cobrando documentos e um cronograma atualizado. Não recebeu resposta.Destinada a cerca de 800 estudantes com Transtorno do Espectro Autista, a Escola do Curralinho deveria ter sido inaugurada em 2023. Para Aladilce, enquanto Bruno Reis e ACM Neto apresentam a administração de Salvador como modelo para a Bahia, “as famílias da capital continuam esperando por uma escola que estava 90% pronta, caiu para 70% e nunca abriu as portas”.
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