Josalto Alves – jornalista e advogado
Diante do quadro político-eleitoral que se nos apresenta, com 13 candidatos registrados à presidência, com polarização já definida entre direita e esquerda, ponho-me a pensar o que será de nós, brasileiros diante da vitória de um ou de outro? Quem realmente tem possibilidade de chegar ao segundo turno? As pesquisas mais recentes colocam Lula (esquerda/centro-esquerda) e Flávio Bolsonaro (direita/bolsonarismo) muito à frente dos demais. Vença quem vencer, teremos, mais que nunca, de exercitar a arte de ser brasileiro e, antes de tudo, sermos fortes.
Um retrato dos principais candidatos mostra Lula com maior experiência política e administrativa. Seu patrimônio eleitoral é a identificação com programas sociais e a força histórica do PT, especialmente entre eleitores de menor renda e no Nordeste.Mas o problema eleitoral é a rejeição elevada, o desgaste natural de quem está no governo e precisa responder por economia, inflação, segurança e denúncias envolvendo integrantes do seu grupo político. Principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro representa a continuidade do bolsonarismo, herdando uma base eleitoral extremamente fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pergunta-se, até que ponto consegue ser candidato próprio ou permanece dependente da figura política do pai? Além deles, aparece Ronaldo Caiado, o candidato mais interessante para quem procura uma alternativa à polarização Lula x Bolsonaro. Seja quem for o eleito, que tipo de país poderá construir, e que tipo de brasileiro cada projeto político poderá estimular?
Se Lula for eleito, será a continuidade do projeto iniciado em 2023, mas com a obrigação de enfrentar problemas que já pressionam o próximo governo: juros elevados, necessidade de estabilização da dívida pública e crescimento econômico mais moderado.Analistas apontam o ajuste fiscal como uma das tarefas centrais do próximo mandato.
O Brasil de Lula representa mais presença do Estado, manutenção de políticas de transferência de renda e o desafio de conciliar mais políticas sociais e investimento público com controle da dívida e dos juros. Se eleito Flávio Bolsonaro, não seria simplesmente uma troca de presidente. Seria a volta do campo político bolsonarista ao poder.
A campanha vem sinalizando prioridade para segurança pública, economia e energia, enquanto sua equipe econômica trabalha em uma proposta de mudança do atual regime fiscal para uma regra vinculada à trajetória da dívida. O eventual Brasil de Flávio teria tendência à redução do tamanho do Estado, privatizações e revisão de políticas tributárias, endurecimento penal, maior apoio às forças policiais e uma postura mais dura contra organizações criminosas, e mais conservador em temas sociais e culturais.
A relação com o STF seria um dos pontos mais delicados. Teria de demonstrar que consegue separar a crítica legítima às decisões do Judiciário de uma confrontação institucional permanente. Mas existe algo importante em jogo. A arte de ser brasileiro.Ser brasileiro não deve significar ser lulista ou bolsonarista.
O brasileiro precisa conseguir votar em Lula sem ser chamado de comunista. Votar em Flávio sem ser rotulado fascista. Não votar em nenhum dos dois sem ser considerado alienado. Criticar Lula sem ser bolsonarista. Criticar Bolsonaro sem ser petista.
Defender segurança pública e direitos humanos simultaneamente. Defender o agronegócio e a preservação ambiental. Defender liberdade econômica e proteção social. Defender responsabilidade fiscal sem ser necessariamente de direita.
Isso é democracia adulta! Afinal, como governar um país que contabiliza cerca de R$ 10,8 trilhões de dívida bruta, juros elevados e necessidade simultânea de financiar saúde, educação, Previdência, segurança e programas sociais?
