O primeiro Leilão de Gás Natural da União, realizado na quinta-feira (22) pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), destinou 480 mil metros cúbicos por dia aos setores químico, petroquímico e de fertilizantes nitrogenados. O volume corresponde a cerca de 44% dos 1,1 milhão de metros cúbicos diários ofertados no certame.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), foram comercializados todos os 110 lotes disponíveis, incluindo também empresas dos setores siderúrgico, ceramista e vidreiro. O fornecimento está previsto para ocorrer entre março e dezembro de 2027.
Do volume destinado aos segmentos químico e petroquímico, 350 mil metros cúbicos por dia foram contratados por Braskem, Rhodia, Evonik, Ingredion e Peróxidos do Brasil. Outros 130 mil metros cúbicos diários foram adquiridos pelas empresas Yara Fertilizantes e Multitécnica Industrial, do setor de fertilizantes nitrogenados.
O preço médio de comercialização foi de US$ 5,16 por milhão de BTU, unidade utilizada para medir o conteúdo energético do gás. De acordo com a Abiquim, o valor é inferior aos cerca de US$ 10 por milhão de BTU praticados atualmente, sem incluir os custos de transporte e distribuição.
Para André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, o resultado representa um avanço na ampliação da oferta de gás natural do pré-sal e na implementação de medidas previstas no Programa Gás para Empregar.
“Esse resultado é fruto de três anos de debates e de construção técnica e econômica coordenados pela Abiquim, com o propósito de transformar o gás natural em um fator de competitividade para a indústria brasileira”, afirmou.
A destinação do volume aos setores industriais atende a uma demanda defendida pela Abiquim junto ao Ministério de Minas e Energia (MME). A entidade considera o gás natural um insumo estratégico para a indústria química, que o utiliza tanto para geração de energia quanto como matéria-prima.
Transporte e distribuiçãoO gás será entregue na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A partir desse ponto, as empresas compradoras deverão contratar o transporte até suas unidades consumidoras.
A Abiquim avalia que os custos de transporte e distribuição ainda representam um desafio para que os preços obtidos no leilão se traduzam em redução efetiva dos custos industriais.
“Este leilão é um passo importante, mas precisamos garantir que o benefício alcançado na comercialização da molécula chegue efetivamente à indústria. Agora, transportadoras e distribuidoras também precisam contribuir para a redução dos custos, com tarifas que permitam aproveitar o gás natural a preços competitivos”, destacou André Passos Cordeiro.
A iniciativa integra a agenda do Programa Gás para Empregar, do governo federal, voltado à ampliação da oferta e do aproveitamento do gás natural no país, com o objetivo de estimular seu uso em atividades industriais estratégicas.
foto Divulgação ABIQUIM
