A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) parabenizou o TRE, na sessão da Câmara de Salvador desta segunda-feira (14), pela decisão que considerou acertada de punir e proibir a exibição de corpos femininos em eventos políticos, “com o objetivo de atrair votos”. Da tribuna do Plenário Cosme de Farias, ela frisou que o país evoluiu na defesa dos direitos das mulheres e que “cenas desse tipo não são aceitáveis”.
Ela fez referência a carreata promovida no bairro de São Cristóvão, em apoio à candidatura do ex-prefeito ACM Neto, quando duas moças desfilaram seminuas, com os corpos pintados de azul, a cor da campanha, e portando adesivos com o número do candidato ao governo (44).Aladilce ressaltou que ela e as demais vereadoras da bancada da oposição, Marta Rodrigues (PT) e Eliete Paraguassu (PSOL), apresentaram representação ao Núcleo de Apoio às Promotorias de Justiça Eleitoral, do Ministério Público da Bahia, pedindo apuração das circunstâncias que levaram àquela exposição de corpos femininos no evento político.
“As mulheres têm que estar no centro das campanhas eleitorais, sim, mas não dessa forma. As mulheres têm que estar debatendo, propondo e contribuindo com propostas, para que os candidatos e candidatas assumam as políticas de proteção às mulheres, contra a violência doméstica que nós temos alertado tanto, para enfrentar o crescimento do feminicídio, inclusive na capital; e políticas públicas de apoio para que as mulheres saiam da situação de violência, incluindo a garantia de creches e escolas para as crianças, porque, infelizmente, as mulheres que trabalham no mercado formal não podem voltar para as mesmas casas onde estão seus agressores”.
Objetificando
O TRE, segundo a vereadora, agiu corretamente ao “punir aquela cena que nós assistimos estarrecidas”. A campanha do ex-prefeito, na sua opinião, deu uma demonstração de como trata as mulheres, objetificando seus corpos”.
Segundo Aladilce, que é feminista e defende a ampliação do número de mulheres na política, em todos os espaços de poder, esse tipo de exploração não pode ser naturalizada, por tratar as mulheres como “chamariz para voto”. Ela deixou claro que os responsáveis pelo evento precisam se explicar: “Não dá para os organizadores dizerem que não têm nada a ver com aquilo. É muito vergonhoso que esse caso tenha tomado projeção nacional, talvez até internacional, porque nunca se viu coisa igual no Brasil”.
Auxílio Aluguel
Em Salvador, observou a comunista, “as mulheres que estão ameaçadas de morte, com decisão judicial de medida protetiva para afastamento das casas dos seus agressores, não conseguem nem o auxílio aluguel, que é uma das maiores reivindicações do movimento”.
Aladilce, lembrou, ainda, que até o Conselho Municipal de Direitos da Mulher ficou desativado desde 2015, na gestão do ex-prefeito ACM Neto, “que agora quer ser governador da Bahia”.A ex-presidente Dilma, segundo ela, apresentou financiamento para construção de creches na capital e a prefeitura não aceitou fazer nenhuma, “numa cidade com mais de 4000 crianças fora de creches”.
foto Antônio Queiroz CMS
