No dia Latinoamericano de Conscientização sobre a Epilepsia, a Associação Baiana de Pessoas com Epilepsia, Familiares e Amigos -ABPEFA lança Carta aberta aos candidatos e candidatas a cargo público nas eleições de 2026 solicitando comprometimento com a causa da Pessoa com Epilepsia.
Leia a Carta na íntegra:
CARTA AOS CANDIDATOS
Compromisso com os direitos das pessoas com epilepsia na Bahia
Às candidatas e aos candidatos às eleições de 2026
A Associação Baiana de Pessoas com Epilepsia, Familiares e Amigos – ABPEFA, entidade que atua na defesa dos direitos, na conscientização e na promoção da inclusão das pessoas com epilepsia, apresenta esta Carta aos Candidatos, com o objetivo de colocar a epilepsia na agenda das políticas públicas da Bahia.
A epilepsia é uma condição neurológica que pode atingir pessoas de todas as idades e ter impactos significativos na educação, no trabalho, na autonomia, na saúde mental, na vida familiar e na participação social.
Mais do que uma questão de saúde, a epilepsia envolve direitos humanos, inclusão, acessibilidade, educação, assistência social, trabalho e combate ao preconceito.
Por isso, a ABPEFA solicita às candidatas e aos candidatos um compromisso público com uma política estadual permanente para as pessoas com epilepsia.
NOSSAS PRIORIDADES
1. Garantia de diagnóstico e tratamento adequado pelo SUS
– Ampliar o acesso a neurologistas e especialistas em epilepsia na rede pública.
– Reduzir o tempo de espera para consultas, exames e diagnóstico.
– Garantir acesso a medicamentos anticrise e tratamentos adequados, conforme indicação médica.
– Ampliar a realização de exames como eletroencefalograma, neuroimagem e exames genéticos quando clinicamente indicados.
– Fortalecer os serviços especializados em epilepsia e epilepsias de difícil controle.
– Criar ou ampliar uma linha de cuidado estadual para pessoas com epilepsia.
2. Epilepsias genéticas e síndromes raras
A Bahia precisa avançar na identificação e no atendimento das pessoas com epilepsias de origem genética e síndromes raras.
Defendemos:
– ampliação do acesso à investigação genética;
– encaminhamento adequado para serviços especializados;
– aconselhamento genético quando indicado;
– integração entre neurologia, genética, pediatria e demais especialidades;
– capacitação dos profissionais do SUS para reconhecer sinais de epilepsias genéticas e síndromes raras.
3. Epilepsia nas escolas
Nenhuma criança ou adolescente deve ser excluído, discriminado ou sofrer bullying por ter epilepsia.
Defendemos:
– capacitação de professores, gestores e funcionários para reconhecer e agir corretamente diante de uma crise epiléptica;
– implantação de protocolos de primeiros socorros e do Protocolo CALMA nas escolas;
– ações permanentes de combate ao preconceito;- orientação às famílias;
– garantia de inclusão e permanência escolar;
– articulação entre Educação e Saúde para acompanhamento dos estudantes que necessitem de suporte.
4. Inclusão e combate ao preconceito
É fundamental desenvolver campanhas permanentes de conscientização sobre epilepsia para combater mitos, discriminação e estigmas.
A população precisa saber que uma pessoa com epilepsia pode estudar, trabalhar, constituir família, praticar atividades físicas e participar plenamente da sociedade, respeitadas suas condições individuais.
5. Trabalho e geração de rendaDefendemos políticas de inclusão profissional das pessoas com epilepsia, especialmente para aquelas que enfrentam limitações decorrentes da condição.
É necessário:
– combater a discriminação no ambiente de trabalho;
– promover campanhas de conscientização para empregadores;
– ampliar programas de qualificação profissional;
– estimular a inclusão produtiva e o empreendedorismo;
– garantir acesso às políticas de assistência social quando preenchidos os requisitos legais.
6. Atendimento de urgência e emergência
As equipes de SAMU, UPAs, hospitais e unidades básicas de saúde devem estar preparadas para atender crises epilépticas.
Defendemos treinamento permanente dos profissionais de saúde sobre:
– identificação de crises;
– primeiros cuidados;
– situações que exigem atendimento emergencial;
– manejo adequado do paciente;
– encaminhamento para acompanhamento especializado.
7. Epilepsia na atenção básica
A pessoa com epilepsia precisa ser acompanhada de forma contínua, e não apenas durante as crises.
Propomos o fortalecimento da atenção primária para:
– acompanhamento clínico;
– adesão ao tratamento;
– identificação de efeitos adversos dos medicamentos;- saúde mental;
– orientação às famílias;
– encaminhamento para especialistas quando necessário.
8. Direitos das pessoas com deficiência e avaliação individualizada
Solicitamos que o Estado assegure que pessoas com epilepsia que apresentem impedimentos de longo prazo e limitações que preencham os critérios legais tenham acesso às políticas destinadas às pessoas com deficiência, mediante avaliação biopsicossocial quando cabível.
É necessário garantir informação e orientação às famílias sobre os direitos previstos na legislação brasileira.
9. Assistência social e apoio às famíliasMuitas famílias enfrentam dificuldades econômicas, sociais e emocionais relacionadas à epilepsia.
Defendemos:
– fortalecimento da rede de assistência social;
– orientação sobre benefícios sociais;
– apoio às famílias em situação de vulnerabilidade;
– articulação entre Saúde, Educação e Assistência Social;
– atendimento às necessidades específicas de crianças e adolescentes com epilepsia.
10. Dados e políticas públicas
A Bahia precisa conhecer melhor a realidade das pessoas com epilepsia.
Defendemos a produção de dados epidemiológicos e indicadores estaduais que permitam identificar:
– número estimado de pessoas com epilepsia;
– distribuição regional dos serviços;
– acesso a medicamentos;
– tempo de espera por especialistas;
– atendimento de crianças e adolescentes;- casos de epilepsias genéticas e raras;
– impacto da epilepsia na educação e no trabalho.
COMPROMISSO COM A BAHIA
A ABPEFA propõe que os candidatos assumam publicamente o compromisso de incluir a epilepsia em seus programas de governo e mandatos.
Solicitamos ainda a criação de uma agenda permanente de diálogo entre o poder público e as organizações da sociedade civil que representam as pessoas com epilepsia, permitindo que as políticas sejam construídas com a participação direta daqueles que vivenciam essa realidade.
NOSSA PAUTA É SUPRAPARTIDÁRIA
Esta carta não representa apoio a partido ou candidatura.
A ABPEFA apresenta uma agenda de direitos e políticas públicas e estará aberta ao diálogo com todas as candidatas e todos os candidatos comprometidos com a saúde, a inclusão, a dignidade e os direitos das pessoas com epilepsia.
Queremos uma Bahia em que nenhuma pessoa seja discriminada por ter epilepsia, nenhuma criança seja excluída da escola por causa de uma crise e nenhuma família fique sem assistência por falta de informação ou acesso aos serviços públicos.
Epilepsia não é apenas uma questão médica. É uma questão de direitos, inclusão, cidadania e dignidade.Por isso, perguntamos aos candidatos:
VOCÊ SE COMPROMETE COM A PAUTA DAS PESSOAS COM EPILEPSIA NA BAHIA?
A ABPEFA convida as candidatas e os candidatos a assumirem esse compromisso e a dialogarem com as pessoas com epilepsia, seus familiares e as entidades que atuam na defesa de seus direitos.
Salvador – Bahia, 2026.
ABPEFA – Associação Baiana de Pessoas com Epilepsia, Familiares e Amigos
Em defesa dos direitos, da inclusão e da dignidade das pessoas com epilepsia.
