Especialistas analisam redução da Selic pelo Banco Central

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Especialistas analisam a redução da taxa de juros do Brasil para 14% ao ano, anunciada pelo COPOM. segundo Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o Copom fez o que o mercado esperava e reduziu a Selic para 14% ao ano. “A boa notícia é que o Banco Central reconhece uma desaceleração da inflação e da atividade econômica. A má notícia é que ele continua bastante preocupado com as expectativas de inflação e com o risco fiscal”, diz.

Para Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, “Um ponto de destaque no comunicado é a desancoragem adicional das expectativas de inflação mais longas, o que, segundo o BC, aumenta o custo da desinflação. Olhando o cenário à frente, entendemos que o texto deixa espaço para mais cortes, contudo sem se comprometer em dar um “guidance”. Esperaremos a ata para termos maior clareza sobre o que foi discutido e melhor balizarmos o nosso cenário. Mas, a princípio, acreditamos que o BC deverá cortar mais uma vez a taxa básica em 0,25 p.p para 13,75%”.

Na visão de Fabiano Guerra, CEO da Alumni Investimentos, “A Selic segue em patamar ainda elevado e a inflação continua pressionada, com o IPCA acumulado em 4,64% em 12 meses e o mercado já projetando 5,03% para este ano, acima da meta do BC. Isso mantém o custo do dinheiro alto e o ambiente seletivo. Para as empresas endividadas e com pouca liquidez, o desafio continua sendo rolar passivos, reorganizar o caixa e preservar valor.”

Roberto Dumas, estrategista-chefe da GCB Investimentos, faz ressalvas sobre a forma como o comunicado tratou o IPCA-15. “Ele afirma que o índice desacelerou, o que é verdade, e lembra que a inflação ainda está acima do teto da meta, também é verdade. Só que, com a continuidade da guerra, esse IPCA pode voltar a acelerar. Para 2026, praticamente não há mais nada que a política monetária possa fazer. A expectativa de inflação está em torno de 5%. Para 2027, também há pouco espaço de atuação, com a projeção em 4,2%”.

Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, “O Comitê manteve a mensagem de que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novos dados, sem qualquer pré-compromisso, e reforçou o balanço de riscos assimétrico para cima. No fechamento do comunicado, o Copom passou a citar explicitamente a desancoragem das expectativas e os riscos elevados em torno do cenário-base como justificativa para “serenidade e cautela” na condução da política monetária. Diante desse contraste entre um cenário corrente mais favorável e uma comunicação prospectiva ainda cautelosa, avaliamos que o Copom ainda mantém aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes de juros na próxima reunião, mas ressalta os argumentos para uma pausa”.

André Zalcman, CEO do Leilão Eletrônico, observa que: “O corte de 0,25 ponto percentual na Selic representa mais um passo no processo de redução dos juros e tende a gerar efeitos positivos para a atividade econômica ao ampliar gradualmente o acesso ao crédito e estimular novos investimentos. No mercado imobiliário, esse movimento costuma ser bastante perceptível, já que a melhora das condições de financiamento incentiva a compra de imóveis. Ao mesmo tempo, os custos da construção civil seguem elevados, mantendo a pressão sobre os preços dos imóveis novos. Nesse contexto, o mercado secundário ganha força e os leilões se tornam ainda mais atrativos para quem busca adquirir imóveis com desconto em relação ao mercado tradicional”, afirma.

Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, “Ao analisarmos o comunicado da decisão, notamos um texto mais sucinto e com um tom bastante aberto. O comitê evitou dar um direcionamento específico (o chamado forward guidance), ressaltando apenas que continuará dependente dos dados. Ou seja, os próximos passos estarão condicionados à evolução da inflação e da atividade econômica. O BC deixa claro, “sem comprometer” a magnitude dos próximos movimentos, que a prioridade é monitorar a conjuntura e garantir a convergência da inflação para a meta”.

Thiago Aor, CFO da Cora, avalia impacto limitado para as PMES. ” Para pequenas e médias empresas, o efeito imediato tende a ser limitado. O custo do crédito segue elevado, o que mantém pressão sobre capital de giro e decisões de investimento. Na prática, a maioria das PMEs ainda deve priorizar a gestão de caixa em vez da expansão. A tendência é que os efeitos mais relevantes sobre crédito e atividade apareçam de forma progressiva, à medida que o ciclo de cortes avance e o cenário externo ganhe mais estabilidade”.

foto José Cruz/Agência Brasil

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