O líder do governo Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Rosemberg Pinto, afirmou que virou moda para ACM Neto dizer que as questões de saúde pública são resolvidas com Pix. “A proposta de eficácia duvidosa promete pagar atendimentos particulares, mas não apresenta detalhamento, nem de onde viriam os recursos. Enquanto vende a fórmula mirabolante, ACM Neto não consegue explicar por que os sistemas de saúde administrados pelo seu grupo não funcionam e deixam a população à míngua”, criticou.
Rosemberg lembrou que a ideia também está longe de ser inédita. Desde 1990, o SUS pode recorrer à rede privada quando sua estrutura for insuficiente, mas por meio de contratos ou convênios, com procedimentos, preços e responsabilidades definidos pelo poder público. “O caminho inteligente é usar a rede complementar sem abandonar postos, equipes e hospitais próprios — e não transformar uma prática antiga em slogan eleitoral com nome de transferência bancária”, afirmou.
Em Salvador, segundo Rosemberg, Bruno Reis, sucessor político e aliado engajado na campanha de ACM Neto, administra uma rede cuja cobertura da Atenção Primária chega a apenas 66,6%. Faltam agentes comunitários, atendimento odontológico e regularidade na oferta de medicamentos, enquanto pacientes madrugam nas unidades, enfrentam filas, carência de profissionais e voltam para casa sem atendimento. A primeira maternidade municipal, prometida por ACM Neto em 2012, só foi inaugurada em abril de 2026, quase 14 anos depois. No mesmo mês, a Prefeitura suspendeu avaliações vasculares nas UPAs e transferiu para a rede estadual pacientes com feridas complexas, pé diabético e risco de amputação.
Em Feira de Santana, Rosemberg apontou que o prefeito José Ronaldo, aliado e articulador da candidatura de ACM Neto, ainda governa uma cidade sem hospital municipal adulto. Ambulâncias ficam paradas aguardando destino, faltam leitos e o Hospital da Mulher admite receber pacientes mesmo sem vagas. Como se não bastasse, uma auditoria do SUS encontrou irregularidades no Tratamento Fora de Domicílio, com suspensão de ajuda de custo, problemas no transporte e prontuários incompletos. A deficiência municipal termina desembocando no Hospital Geral Clériston Andrade, mantido pelo Estado.
Em Vitória da Conquista, o líder governista destacou que Sheila Lemos, correligionária e defensora de ACM Neto, convive com pacientes que esperam mais de um ano por especialistas e até por exames classificados como prioritários. No Hospital Esaú Matos, que realizou mais de 23 mil atendimentos no primeiro semestre de 2026, a própria prefeita reconheceu que a estrutura já não tem condições de funcionar simultaneamente como hospital municipal e regional. A direção também cobra investimentos em equipamentos e instalações para sustentar uma unidade que recebe gestantes e crianças de dezenas de municípios.
Em Ilhéus, Rosemberg ressaltou que Valderico Júnior, que prometeu empenho irrestrito na eleição de ACM Neto, iniciou o mandato decretando emergência na saúde diante de ambulâncias quebradas e falta de medicamentos e insumos. Meses depois, a Câmara ainda cobrava providências para um posto sem enfermeiro na triagem, sem agente de limpeza e sem materiais básicos. “É a rede administrada por um aliado de ACM Neto que, antes de sonhar com qualquer ‘pix’, ainda precisa garantir que o paciente encontre profissional, remédio e equipamento quando chega à unidade municipal”, afirmou.
Foto: Divulgação Rosemberg Pinto
