O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) criticou neste sábado (18) a postura do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), ao afirmar que “não tem nada a ver” com a investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia e pelo Gaeco sobre supostas fraudes em contratos da Prefeitura de Salvador. Para o parlamentar, o ex-prefeito tenta se comportar como “ACM Pôncio Pilatos Neto”, lavando as mãos diante de fatos que também alcançam o período em que administrou a capital.
Segundo o líder do governo na Assembleia, a própria investigação aponta que as irregularidades envolvendo empresas contratadas se estendem por mais de dez anos, abrangendo a gestão de ACM Neto que antecedeu à do atual prefeito Bruno Reis. “Não é possível fingir que esse problema começou ontem. ACM Neto governou Salvador durante oito anos e precisa prestar esclarecimentos à sociedade”, afirmou.
O deputado lembrou ainda que a decisão da Justiça que determinou o afastamento cautelar de um secretário municipal atinge um integrante da equipe que também ocupou cargo estratégico na administração de ACM Neto. “É mais um elemento que demonstra a necessidade de explicações. Não basta dizer que não tem nada a ver e seguir adiante como se nada tivesse acontecido”, ressaltou.
Para Rosemberg, a declaração de ACM Neto soa como uma tentativa de se desvincular politicamente de um caso que, segundo o Ministério Público, teve origem ainda em sua gestão. “Quem administrou a cidade por oito anos não pode simplesmente lavar as mãos quando a investigação alcança justamente esse período”, enfatizou.
O parlamentar destacou que defender a apuração é obrigação de qualquer agente público, mas observou que isso não substitui o dever de responder pelos atos praticados durante sua administração. “Cobrar investigação enquanto tenta apagar a própria responsabilidade política é uma contradição evidente. A população espera transparência e respostas objetivas”, disse.
Por fim, Rosemberg afirmou que a sociedade baiana merece conhecer toda a extensão dos fatos e as responsabilidades de cada gestor. “Se ACM Neto diz que não tem preocupação, deveria começar explicando por que as suspeitas investigadas pelo Ministério Público também envolvem contratos firmados durante seu governo e integrantes da equipe que hoje voltam ao centro das investigações. Fazer papel de Pôncio Pilatos não convence ninguém. É assim que ele quer ser governador da Bahia?”, concluiu.
foto Divulgação Rosemberg Pinto
