Inadimplência atinge 73,7 milhões de consumidores em fevereiro, aponta CNDL e SPC Brasil

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A inadimplência no país teve mais um aumento este ano. Após o pior janeiro da história, o país atingiu em fevereiro a marca de 73,7 milhões de consumidores inadimplentes. De acordo com o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, este volume representa 44,11% da população adulta brasileira. Na comparação anual, o número de devedores cresceu 10,22% em relação a fevereiro de 2025. Já na variação mensal (janeiro/2026 para fevereiro/2026), a alta foi de 0,71%.

O crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência de 4 a 5 anos (36,25%).

“O avanço da inadimplência reflete o cenário desafiador que o brasileiro enfrenta para equilibrar o orçamento doméstico. Manter as contas em dia tornou-se uma tarefa árdua diante de um custo de vida ainda elevado e do comprometimento da renda com dívidas passadas. Esse ciclo é extremamente prejudicial para a economia: o consumidor inadimplente perde seu poder de compra e, por consequência, retira-se do mercado de consumo. Sem crédito e com a renda corroída, o consumo das famílias trava, o que impacta diretamente o dinamismo do comércio e de todo o setor de serviços, retardando a recuperação econômica do país”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

Dívidas por região, faixa etária e gênero

A inadimplência no Brasil apresenta uma concentração significativa em adultos jovens e no setor financeiro. A maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos, somando 18,01 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (53,12%) da população nesta faixa etária está negativada.

A distribuição é equilibrada, com leve predominância feminina: 51,35% mulheres e 48,65% homens.

Observando os resultados por região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 9,81%, seguido pelo Sudeste (9,80%), Norte (9,16%), Centro‐Oeste (7,67%) e Nordeste (7,58%).

Em fevereiro de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 4.992,43. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,29 empresas credoras.

Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (29,90%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 42,51% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.

“A saída da inadimplência exige, antes de tudo, um choque de gestão no orçamento familiar. O consumidor precisa encarar a realidade dos números, listando todas as despesas e priorizando o essencial para identificar onde é possível cortar. O planejamento das negociações é o passo seguinte: ninguém deve firmar um acordo de pagamento que não consiga cumprir, sob o risco de frustrar a reabilitação do crédito. Manter o nome limpo não é apenas uma questão de honra, mas um ativo estratégico; é o que garante ao cidadão o acesso a juros menores e a capacidade de realizar projetos futuros”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Em fevereiro de 2026, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 17,76% em relação ao mesmo período de 2025. O dado observado em fevereiro deste ano ficou acima da variação anual observada no mês anterior. Na passagem de janeiro para fevereiro, o número de dívidas apresentou alta de 2,28%.

Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destacou‐se a evolução das dívidas com o setor de Água e Luz com crescimento de 27,28%, seguido de Bancos (17,26%), Comunicação (14,82%) e Comércio (2,14%).

Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 66,22% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,56%), o setor de Outros com 9,04% e Comércio com 8,67% do total de dívidas.

Na abertura por região em relação ao número de dívidas, a maior alta veio da região Sul (18,11%), seguida pelo Sudeste (18,02%), Norte (17,96%), Centro‐Oeste (15,41%) e Nordeste (14,18%).

Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na região Centro‐Oeste, onde 47,62% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 39,75% da população adulta.

Foto Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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