O verão vai além das altas temperaturas e dos dias mais longos. Para bares e restaurantes, a estação funciona como um verdadeiro divisor de águas no faturamento, capaz de alterar hábitos de consumo, intensificar o fluxo de clientes e exigir ajustes importantes na gestão do negócio. Clima quente, férias escolares, feriados prolongados e a proximidade do Carnaval criam um cenário que amplia oportunidades, mas também impõe desafios operacionais a quem atua no setor de alimentação fora do lar. Em diferentes regiões do país, o comportamento do consumidor muda conforme o termômetro sobe. Bebidas geladas ganham protagonismo, cardápios precisam se adaptar e o planejamento se torna peça-chave para transformar o aumento da demanda em resultado financeiro sustentável.
Levantamentos da Abrasel em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que o segmento de bares e restaurantes encerrou 2025 com projeções otimistas para o início de 2026. A pesquisa de conjuntura divulgada em dezembro aponta que 69% dos estabelecimentos esperam faturar mais no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Esse movimento é influenciado por fatores macroeconômicos, pela reorganização dos próprios negócios e, sobretudo, pelo impacto do verão no consumo. A estação concentra férias, eventos e maior circulação de pessoas, criando um ambiente favorável para quem consegue alinhar oferta, atendimento e operação ao novo ritmo do público.
Calor e lazer impulsionam o consumo em áreas turísticas
Em cidades com forte apelo turístico, o verão costuma marcar o pico do movimento. Em Salvador, a dona do bar Cantinho da Telma, Geisa Pereira, explica que a combinação entre calor intenso, férias escolares e feriados prolongados cria um cenário altamente favorável para o comércio, especialmente em regiões próximas ao litoral.
Segundo ela, o aumento da temperatura influencia diretamente o que sai do balcão. Bebidas refrescantes ganham espaço e passam a liderar as vendas. Sucos naturais, drinques e opções sem álcool, como cervejas zero e refrigerantes, registram crescimento significativo durante os meses mais quentes do ano. Além disso, o perfil do público também se transforma. Embora o bar mantenha uma base fiel de clientes locais, a chegada de turistas amplia o fluxo e fortalece a visibilidade do negócio. Para Geisa, esse movimento não apenas aumenta o faturamento, como também contribui para consolidar a marca junto a novos consumidores que visitam a cidade.
Já em Florianópolis, o impacto do verão no faturamento varia de acordo com a localização do estabelecimento e as condições climáticas do dia. Fabrício Barni, proprietário do Meu Cantinho Churrascaria, observa que dias de sol intenso tendem a concentrar o público nas praias, beneficiando bares e restaurantes localizados nos balneários. Por outro lado, quando o tempo fica nublado ou chuvoso, o comportamento se inverte. Estabelecimentos afastados da orla passam a registrar maior movimento, já que os clientes buscam alternativas de lazer fora da praia. Esse cenário exige flexibilidade e leitura atenta do comportamento do consumidor.
A mobilidade urbana também entra na equação. Em períodos de alta temporada, deslocamentos longos se tornam menos atrativos, fazendo com que muitas pessoas optem por consumir onde já estão. Nesse contexto, diferenciais como ambientes climatizados, áreas externas confortáveis e boa estrutura fazem diferença.
Fabrício destaca ainda a importância da reputação digital durante o verão. Avaliações em plataformas como Google e TripAdvisor influenciam diretamente a decisão do cliente, assim como recomendações feitas por outros consumidores. Em um período de alta concorrência, a presença digital bem cuidada se torna um ativo estratégico.
Se o verão amplia o movimento no salão, também aumenta a pressão sobre os bastidores da operação. A gestão de estoques, por exemplo, assume papel central nesse período. Adriana Lara, líder em Educação e Produtividade da Abrasel, reforça que o controle adequado dos insumos vai muito além da rotina operacional.
Segundo ela, em momentos de alta demanda — como verão, feriados e Carnaval — o estoque deve ser tratado como um fator crítico tanto para a segurança dos alimentos quanto para o resultado financeiro. Planejar compras com base no consumo real, alinhar volumes à capacidade de refrigeração e monitorar rigorosamente as temperaturas são práticas indispensáveis em períodos de calor intenso.
Em Salvador, Geisa reforça que o clima típico do verão favorece encontros entre amigos e famílias. Praia, sol, boa comida, bebidas geladas e atendimento de qualidade formam uma combinação que impulsiona o movimento e fortalece o relacionamento com o público.
Foto Gemini Google
Com informações Abrasel Noticias
