Giordania Tavares, CEO da Rayflex
Não existe um caminho fácil para liderar equipes. A gestão de pessoas é, por natureza, um desafio, pois envolve individualidades, interesses e personalidades distintas que precisam coexistir para que o trabalho funcione. No passado, o papel do “bom gestor” era o de anular as diferenças e transformar as equipes em executores eficientes. Hoje, esse modelo vem sendo superado. A tarefa da liderança contemporânea passa por reconhecer as diferenças e entender como construir equipes que se fortalecem justamente na diversidade para ir mais longe.
Ao passo que muitas empresas evitam, por exemplo, a diferença geracional nas equipes, não contratando profissionais com mais de 50 anos ou no início de carreira, muitas outras apostam nessa combinação. No mundo ideal, o profissional perfeito combinaria anos de experiência com pleno conhecimento sobre as inovações e tendências do mercado e da sociedade. Esse tipo de perfil até existe, mas construir equipes nas quais as individualidades se complementam tem se mostrado um caminho mais realista para ampliar repertório, estimular a inovação e sustentar resultados no longo prazo.
Liderança é um exercício diário
Na prática, como dito, liderar equipes segue longe de ser simples. Com equipes heterogêneas, mais do que nunca a liderança é fundamental para transformar talentos isolados em um time engajado e alinhado nos objetivos. Esse desafio, muitas vezes, é mais complexo do que a incorporação da inteligência artificial à rotina de trabalho ou a disputa entre modelos presencial e remoto. Até mesmo o necessário debate sobre saúde mental nas empresas passa, inevitavelmente, por uma reflexão sobre o modelo de gestão que está sendo praticado internamente.
Para ter sucesso nessa tarefa, é preciso reconhecer que liderança não é um dom, mas um exercício diário. Ela se constrói a partir da escuta, da observação, da sensibilidade e da capacidade de pensar estrategicamente. Ouvir como pessoas diferentes lidam com um mesmo problema e perceber os caminhos que escolhem para chegar a uma solução ainda é uma prática pouco comum, mas altamente reveladora. É assim que surgem pistas sobre talentos que podem ser desenvolvidos e fortalecidos em conjunto.
Na prática, não existe liderança estratégica sem conhecer profundamente as pessoas que fazem parte do projeto. É a partir dessa compreensão que líderes conseguem alinhar expectativas, desenvolver talentos e criar ambientes nos quais as diferenças deixam de ser um obstáculo e passam a ser um ativo. Em um cenário de transformações constantes, tecnologias emergentes e novos modelos de trabalho, liderar significa, acima de tudo, criar conexões, dar sentido ao coletivo e transformar potencial individual em resultados sustentáveis para o negócio.
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