Para 45% dos brasileiros, quitar dívidas é mais urgente que viajar ou ter casa ou carro, mostra pesquisa da Creditas

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O brasileiro nunca parou de correr, mas, em 2026, o motivo mudou. Se antes o “corre” estava associado a crescimento e conquista, hoje ele está cada vez mais ligado à tentativa de manter o equilíbrio financeiro em um cenário de pressão e imprevisibilidade.

É o que mostra a pesquisa inédita “O Corre do Brasileiro”, realizada pela Creditas, principal fintech de crédito com garantia da América Latina, em parceria com a Opinion Box. O levantamento revela que 59% dos brasileiros começaram o ano sob pressão financeira, sendo 34% preocupados, 14% em recuperação e 11% sob forte pressão, enquanto apenas 39% afirmam ter iniciado o ano com sensação de controle sobre as finanças.

O dado reflete um contexto econômico em que o esforço não necessariamente se traduz em avanço. A maioria dos entrevistados (66%) afirma estar abaixo do ritmo financeiro que gostaria, enquanto 95% dizem precisar complementar a renda e, entre esses, 60% já tentaram, mas não conseguiram.

O principal fator de desorganização financeira segue sendo a imprevisibilidade: imprevistos são apontados por 32% como o maior obstáculo, seguidos pela falta de disciplina (27%) e pela limitação de renda (25%). “O brasileiro até tenta se planejar, mas o problema é que o cenário muda o tempo todo. Sem previsibilidade, o planejamento deixa de ser execução e passa a ser reação, e isso gera uma sensação constante de instabilidade”, afirma Guilherme Casagrande, especialista em educação financeira da Creditas.

Nesse contexto, um fator comportamental passa a ganhar relevância na forma como os brasileiros lidam com o dinheiro: 71% dos entrevistados veem relação entre saúde física e sucesso financeiro, enquanto 51% afirmam tomar melhores decisões relacionadas ao dinheiro quando se exercitam. A prática de atividade física está associada a comportamentos como maior foco em metas de longo prazo (34%), menor impulsividade (28%) e mais disciplina (27%), características que também influenciam a organização financeira.

Além disso, o estudo também mostra que o impacto do “corre” vai além do financeiro. Para 54% dos entrevistados, o trabalho consome mais energia mental do que física, enquanto 66% relatam pressão constante para produzir e manter estabilidade.

Diante desse cenário, o brasileiro começa a mudar prioridades. O consumo perde espaço para a organização financeira: guardar dinheiro (56%), organizar as finanças (54%), aumentar a renda (53%) e quitar dívidas (45%) aparecem como principais objetivos para 2026 e ficam a frente de realizar uma viagem (43%), comprar casa (32%) ou um veículo (28%).

“A mudança indica uma virada importante no comportamento: diante de um cenário mais pressionado, o brasileiro troca o desejo de consumo pela necessidade de controle financeiro”, completa Casagrande.

Foto jarmoluk/Pixabay

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