O futuro da Indústria Química Brasileira: Desafios e Perspectivas

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André Passos Cordeiro, Presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim)

A indústria química brasileira, atualmente na quarta posição global com um faturamento líquido de US$ 158,6 bilhões em 2024, é um setor estratégico e o mais sustentável do mundo, emitindo de 5% a 51% menos CO² por tonelada produzida em comparação com concorrentes
internacionais. Contribui com 11% do PIB industrial e é a terceira maior da indústria de transformação nacional, gerando cerca de dois milhões de empregos diretos e indiretos. No entanto, enfrentamos um momento sensivelmente desafiador.

No cenário nacional, o Polo Petroquímico de Camaçari destaca a representatividade do setor químico baiano, que, apesar de sua relevância econômica com um PIB industrial de R$ 9,43 bilhões em 2023, também enfrenta desafios, evidenciados pela queda de 10,3% na produção
física de produtos químicos em 2023 em comparação ao ano anterior.

Nossos maiores desafios residem na concorrência desleal de importações predatórias, principalmente da China e dos EUA, que fortalecem suas indústrias com programas de apoio robustos, enquanto no Brasil operamos com uma ociosidade crítica de 62% da capacidade instalada – a pior dos últimos 30 anos. Soma-se a isso o alto custo da energia e a dificuldade em garantir suprimento de matérias-primas como gás natural e etano a preços competitivos. Em 2024, o Brasil registrou um saldo negativo de US$ 48,7 bilhões na balança comercial de produtos químicos, e em 2023, a perda de arrecadação de tributos federais do setor atingiu R$ 8 bilhões.

Apesar desses obstáculos, as perspectivas para o futuro podem ser promissoras, especialmente com o Projeto de Lei 892/2025, que institui o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). Essa medida, já no radar do Governo Federal e em sintonia com o programa Nova Indústria Brasil, visa alavancar o setor por meio de estímulos fiscais inteligentes, incentivando processos de baixo carbono e a expansão da
capacidade produtiva.

Com o Presiq, estimamos um impacto positivo de R$ 112,1 bilhões no PIB até 2029, a criação de até 1,7 milhão de empregos diretos e indiretos, e um adicional de R$ 65,5 bilhões em tributos para o Brasil. O programa também busca reduzir em 30% as emissões de CO² por tonelada produzida, visando a neutralidade de carbono até 2050, posicionando o Brasil como líder global na transição energética.

O Presiq propõe créditos financeiros de até R$ 4 bilhões para a modalidade industrial e até R$ 1 bilhão para a modalidade investimento a partir de 2027, direcionados para aquisição de insumos menos poluentes, como o gás natural, e para centrais petroquímicas e indústrias que se comprometam a ampliar sua capacidade instalada. Esse é o caminho para a descarbonização, utilizando a biomassa, na qual o Brasil já tem acesso à maior parte dessas matérias-primas.

Com o trabalho conjunto entre a indústria, entidades públicas e a sociedade, e um diálogo construtivo com o governo federal, temos a convicção de que podemos reverter o cenário atual e fortalecer ainda mais a indústria química brasileira, garantindo sua relevância no cenário internacional e contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico e socioambiental do país.

Foto: Divulgação

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