O Brasil no Nobel: a incrível história da brasileira que conseguiu fazer tetraplégicos andarem

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Alessandra Nascimento – Jornalista, Editora Site Café com Informação

Essa semana fui tomada por um estado de imensa alegria. Assisti casos de pessoas que, após acidentes graves voltaram a andar como num milagre. Homens e mulheres cujas vidas estariam atreladas à cadeiras de rodas por conta de lesões graves com sequelas, simplesmente retornam movimentos, alguns em estágio avançado do tratamento voltaram a caminhar, praticam atividades físicas e esportivas, mantém uma vida plena. Pessoas como Hawanna Cruz Ribeiro e Bruno Freitas. Hawanna se tornou tetraplégica em 2017 e três anos depois participou como voluntária como paciente crônica no tratamento com a Polilaminina – substância regeneradora feita a partir da proteína laminina, que tem revertido os efeitos de lesões na medula. A jovem que tem 19,6 mil seguidores no Instagram e é atleta paralímpica de rugby, descreve em sua rede social os resultados do tratamento: recuperou cerca de 60% a 70% do controle do tronco e voltou a perceber a sensibilidade da bexiga, embora ainda sem independência total. O caso de Bruno foi diferente. Ele foi o primeiro paciente a receber o tratamento logo após o acidente de trânsito que sofreu e hoje caminha normalmente e dá entrevistas, além de ter em seu Instagram 85,7 mil seguidores.

Duas pessoas de realidades distintas que são exemplos de superação, resiliência e esperança. Como eles outros pacientes de diferentes locais do Brasil participam do estudo que tem mudado radicalmente a história da ciência para pessoas com lesões graves na medula. E tudo isso começou por acaso com uma pesquisadora da UFRJ chamada Tatiana de Coelho Sampaio. Formada em biologia e anos dedicados ao trabalho de pesquisa com a proteína laminina, essencial na organização de tecidos, à medida que os estudos, que hoje avançam (atualmente se encontram na fase de testes clínicos) o número de candidatos aumenta. Mas é bom deixar claro que o tratamento ainda está sendo testado, logo não está disponível para comercialização em farmácias. Importante destacar pois recentemente havia fake news circulando na internet de venda de um suposto medicamento. Mentira de invejosos que não aceitam o sucesso alheio, muito menos quando a protagonista é uma mulher, mãe, que desdobra seu tempo entre a criação dos filhos, o trabalho na universidade, coordenando equipes de futuros especialistas e acompanha de perto o resultado dos pacientes que estão se beneficiando com sua descoberta.

A Dra Tatiana tem levado esperanças. Uma delas foi a ex-ginasta e medalhista, Lais Souza, que após um acidente de esqui perdeu os movimentos do corpo. Em sua rede social, após encontro com a pesquisadora ela disse: “Eu sempre disse que viajaria para qualquer lugar do mundo se surgisse uma pesquisa verdadeiramente promissora. E nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginei que essa luz estaria tão perto. Aqui na nossa casa, no nosso país”. O encontro aconteceu há uma semana e foi marcado por muita emoção e esperança.

Reprodução Instagram

A história da Dra. Tatiana me desperta um profundo sentimento de gratidão por ela, por sua dedicação, por ver que o Brasil, mesmo entre sobressaltos, acredita e segue investindo em pesquisa. Pessoas como ela precisam ter mais espaço, serem ouvidas, para que possamos cada vez mais ser um país que de fato promova a ciência e o livre conhecimento em todas as áreas e não se perca entre o peso da burocracia e o descaso impedindo o progresso científico daqueles que podem, de fato, ajudar a melhorar a vida de outras pessoas.

Laminina reprodução Internet

Quanto ao Prêmio Nobel que mencionei no título desse artigo já estou na torcida por Dra Tatiana, pela UFRJ e pelo lindo trabalho que eles desenvolvem. E quanto a laminina eu tive a oportunidade de ver a molécula na internet. A fotografia lembra uma cruz, um símbolo de união, de amor, de fraternidade. Tomo a liberdade para encerrar este artigo recordando da passagem bíblica presente no Livro de Marcos 2:1-12. Trata de quando Jesus ensinava em Cafarnaum. A casa estava lotada e quatro amigos decidiram descer pelo telhado um amigo que se encontrava paralítico. Jesus vendo a fé presente nos amigos disse ao homem que não tinha seus movimentos: “Levante-se, pegue a sua maca e vá para casa” e foi justamente isso que os amigos e a multidão presenciaram. Um homem que estava impossibilitado de se mover, que dependia da caridade alheia para tudo, se levantar, caminhar e seguir em frente feliz porque sua fé foi a chave de sua cura.

E graças a Deus é justamente isso que estou vivendo para ver: Tempos de fé!

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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