Indústria eletroeletrônica desacelera 1% em 2025

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Os indicadores de comercialização da indústria eletroeletrônica brasileira apontaram variação de -1% em 2025, na comparação com 2024, após um avanço expressivo de 38% no ano anterior, que elevou a base de comparação a um patamar recorde.

De acordo com a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), o resultado representa um ajuste esperado, depois do pico histórico de 2024, sobretudo em um ambiente econômico desafiador.

Segundo o Presidente-Executivo da Eletros, Jorge Nascimento, o desempenho de 2025 precisa ser analisado à luz da base muito alta do ano anterior, 2024, e de um ambiente macroeconômico mais restritivo. “Depois de um ciclo de crescimento significativo em 2024, é previsível algum grau de acomodação. De todo modo, o setor preservou um patamar importante de vendas, mesmo com juros elevados, crédito mais caro e o orçamento das famílias pressionado por outras prioridades, o que mostra a capacidade de adaptação da indústria”, avalia Nascimento.

A movimentação do ano foi marcada por comportamentos distintos entre as principais linhas de produtos. Enquanto Linha Branca apresentou retração de 1% e eletroportáteis recuaram 4%, segmentos como ar-condicionado, Linha Marrom e TIC mantiveram trajetória de crescimento, com altas de 16%, 3% e 10%, respectivamente. O conjunto indica desaceleração do ritmo anterior, mas com o setor ainda sustentado por tendências estruturais de consumo, digitalização e busca por eficiência energética.

Linha de Ar-condicionado

O segmento de ar-condicionado registrou a maior alta entre as categorias em 2025, com crescimento de 16%, dando continuidade à expansão recente. O resultado foi impulsionado por ondas de calor mais intensas e pela consolidação do aparelho como item cada vez mais presente nas residências brasileiras, com avanço da penetração em todas as regiões, em especial Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste. A combinação entre produção nacional, maior oferta de modelos e interesse por conforto térmico e tecnologia contribuiu para sustentar esse desempenho.

Linha Branca

A Linha Branca encerrou 2025 com retração de 1%, após crescimento de 23% em 2024, refletindo um cenário de crédito restritivo, juros elevados e inadimplência ainda em patamar alto, fatores que limitaram compras de maior valor. Produtos como refrigeradores, lavadoras e fogões sentiram mais o impacto das condições de financiamento, embora itens mais eficientes e conectados tenham mostrado desempenho relativamente melhor, especialmente nas categorias de refrigeração.

“A Linha Branca segue sendo um pilar da indústria, mas depende diretamente de um ambiente de crédito mais saudável. As fabricantes têm investido em tecnologia e eficiência energética, o que tende a acelerar a renovação do parque de eletrodomésticos quando as condições de financiamento melhorarem”, destaca Nascimento.

Linha Marrom

A Linha Marrom cresceu 3% em 2025, mantendo a trajetória positiva observada nos últimos anos. O avanço foi impulsionado pela renovação tecnológica do parque instalado, com maior participação de TVs 4K, modelos smart e telas maiores, além de equipamentos de áudio conectados, em linha com o aumento do consumo de entretenimento doméstico e da oferta de streaming.

O segmento opera hoje em um novo patamar, sustentado pela evolução tecnológica e pela integração digital às rotinas das famílias.

Linha Portátil

Os eletroportáteis apresentaram retração de 4% em 2025, após o forte crescimento de 44% em 2024, quando o segmento atingiu pico histórico. A queda reflete um ajuste depois da antecipação de demanda nos anos anteriores e um consumo mais cauteloso, com compras seletivas e foco em reposição. Apesar da correção, a categoria permanece em nível elevado, apoiada em produtos voltados à praticidade doméstica e em itens de ventilação, que continuaram registrando boa procura ao longo do ano.

Linha de Tecnologia da Informação (TIC)

O conjunto de produtos de Tecnologia da Informação (TIC) cresceu 10% em 2025, mantendo a tendência de expansão iniciada em 2023. O desempenho foi sustentado pela evolução tecnológica, pela ampliação da infraestrutura digital e pela maior conectividade, com impacto direto na demanda por notebooks, PCs, monitores e outros equipamentos usados em trabalho híbrido, educação e serviços digitais. O resultado confirma a continuidade do uso intensivo de tecnologia nas rotinas de empresas e famílias, consolidando TIC como um dos vetores estruturais do setor.

Perspectivas 2026

Para 2026, a Eletros projeta um cenário favorável, ainda que permeado por desafios estruturais. A realização da Copa do Mundo deverá impulsionar especialmente a demanda por televisores e equipamentos de aúdio voltados ao entretenimento doméstico, enquanto a recorrência de ondas de calor tende a manter os segmentos de climatização e ventilação entre os mais dinâmicos do mercado.

Paralelamente, o avanço da agenda de eficiência energética e da modernização regulatória cria condições propícias para a renovação do parque de eletrodomésticos no país, com estímulo à substituição de equipamentos antigos por modelos mais econômicos, sustentáveis e tecnologicamente mais avançados.

O calendário eleitoral de 2026 também abre uma janela relevante para qualificar o debate em torno de políticas públicas que impactam diretamente o setor, como política industrial, ambiente regulatório, acesso ao crédito e programas de incentivo à troca de equipamentos ineficientes.

Nesse contexto, a Eletros acompanhará de forma ativa e propositiva essa agenda, defendendo medidas que fortaleçam a competitividade da indústria nacional, ampliem o acesso da população a produtos modernos e sustentáveis e estimulem a geração de empregos de qualidade ao longo de toda a cadeia produtiva”, conclui Jorge Nascimento.

Foto Elza Fiuza/Agência Brasil

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