O segundo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) para o ano de 2026, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativo ao mês de fevereiro, com dados sistematizados e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), estima para a safra deste ano uma produção de cereais, oleaginosas e leguminosas de 12,9 milhões de toneladas, o que representa um avanço de apenas 0,4% na comparação com a safra 2025.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por sua vez, na sexta estimativa do ciclo 2025/2026, destaca o bom desempenho na produção dos grãos, com a produção de 14,4 milhões de toneladas – o que representa um avanço de 2,7% em relação ao ciclo 2024/2025, apesar de vislumbrar queda na produtividade.
De acordo com o IBGE, a área plantada dos grãos, para 2026, está estimada em 3,68 milhões de hectares (ha), representando um avanço de 0,9% em relação à safra 2025. Com isso, o rendimento médio (3,50 toneladas/ha) da lavoura de grãos no estado da Bahia será 0,5% abaixo da safra anterior.
O volume de soja está estimado em 8,71 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 1,2% sobre o verificado em 2025. A área plantada com a oleaginosa no estado é de aproximadamente 2,18 milhões de ha. Mesmo com o avanço na safra e na área plantada, o rendimento médio de 4,0 toneladas/há é menor, com taxa de -0,6%, em relação à safra anterior.
Outro importante produto da safra baiana, o algodão (caroço e pluma), tem produção estimada em 1,55 milhão de toneladas, o que representa declínio de 13,6% em relação ao ano de 2025. A estimativa revela que a Bahia se mantém como o maior produtor da Região Nordeste e o segundo maior do Brasil, responsável por 17,5% da safra nacional, atrás apenas do Mato Grosso (71,4% da safra nacional). A área plantada com a fibra reduziu em 11,5%, para 354 mil ha, em relação à safra de 2025.
As duas safras anuais do milho, estimadas pelo IBGE, devem alcançar 2,80 milhões de toneladas, o que representa aumento de 2,3% na comparação anual. Com relação à área plantada, houve aumento de 5,0% em relação à estimativa da safra anterior de 630 mil ha. A primeira safra do cereal está projetada em 2,09 milhões de toneladas, 8,1% acima do que foi observado em 2025. Já para a segunda safra é esperado um recuo de 11,5% em relação à colheita anterior, com expectativa de 714 mil toneladas.
Para a lavoura do feijão, a estimativa é de uma safra maior em 16,8%, na comparação com a safra 2024, totalizando 219 mil toneladas. O levantamento tem estimativa de 360 mil ha plantados, 2,9% maior que a safra anterior. A primeira safra da leguminosa (133 mil toneladas) será 53,8% superior à de 2025, e a estimativa da segunda safra (86 mil toneladas) prevê uma variação negativa de 14,9% na mesma base de comparação.
Em relação ao café, está prevista a colheita de 228 mil toneladas em 2026, 12,9% abaixo do observado no ano anterior. A safra do tipo arábica deverá ser próxima de 95 mil toneladas, com variação anual de 6,8%. Por sua vez, para a safra do tipo canéfora espera-se cerca de 133 mil toneladas, 23,0% abaixo da colheita do ano anterior.
Para a lavoura da cana-de-açúcar, o IBGE estima a produção de 5,50 milhões de toneladas, um declínio de 11,9% em relação à safra 2025. A estimativa da produção do cacau, por sua vez, ficou em 125 mil toneladas, apontando um avanço de 5,3% na comparação com a produção do ano anterior.
Na fruticultura, destacam-se as estimativas das lavouras de banana (896 mil toneladas), laranja (633 mil toneladas) e uva (107 mil toneladas), que registraram, respectivamente, variações de -1,0%, 0,2% e 5,1% em relação à safra anterior.
O levantamento ainda indica uma produção de 873 mil toneladas de mandioca, 3,8% a menos que a de 2025. A produção de batata-inglesa, estimada em 343 mil toneladas, indica acréscimo de 0,8%; e a do tomate, estimada em 183 mil toneladas, aponta avanço de 0,2% na comparação com a do ano anterior.
Levantamento da Conab aponta para uma colheita de 14,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/2026
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu sexto levantamento de 2025/2026, estima a produção de 14,4 milhões de toneladas de grãos – o que representa um avanço de 2,7% em relação ao ciclo 2024/2025. De acordo com a Conab, os elevados volumes de chuva no oeste do estado favoreceram a recuperação da umidade do solo, beneficiando os plantios da região no início do ciclo.
A expectativa de crescimento da produção no ciclo 2025/2026 deve-se à ampliação da área plantada em 170 mil ha, aumento de 4,3% em relação ao ciclo anterior, alcançando 4,1 milhões de ha. Destaca-se a expansão da área plantada de soja (+201 mil ha). Porém, o rendimento médio do conjunto das lavouras pesquisadas ficou em 3,50 toneladas/ha, o que corresponde a um recuo de 1,5% em relação ao ciclo anterior.
A soja, segundo dados da Conab, deve apresentar mais um ciclo de alta, com aumento da área plantada – crescimento de 4,5% em relação à temporada anterior – alcançando um total de 2,34 milhões de ha. Por sua vez, a produção pode avançar 4,5%, para 9,25 milhões de toneladas nessa temporada, em comparação com o ciclo anterior. Com isso, a produtividade estimada é de 3,96 toneladas/ha, o que representa queda de 4,5% em relação à safra anterior. Segundo a Conab, os produtores do grão estão preocupados com os custos de produção e com a incidência de pragas.
A produção de algodão de 1,91 milhão de toneladas será plantada em 402 mil ha, representando uma queda de produção de 4,2% em relação ao ciclo 2024/2025.
Segundo a Conab, a redução foi observada no cultivo de sequeiro, enquanto no cultivo irrigado espera-se alta. A redução na área plantada (-2,6%), principalmente no cultivo de sequeiro, deve-se a menor rentabilidade esperada para a cultura diante do recuo nos preços no mercado internacional e a adoção de rotação com outras culturas como soja, milho e sorgo.
A produção de milho está estimada em 2,72 milhões de toneladas. As principais contribuições são esperadas da primeira (1,49 milhão de toneladas) e da terceira (1,03 milhão de toneladas) safras do cereal. Em seu conjunto, a produção de milho, no estado, tem expectativa de queda de 3,0% em relação ao ciclo anterior, atribuída à restrição hídrica em algumas áreas da microrregião de Jacobina, Senhor do Bonfim e centro-norte do estado. A redução da área de cultivo (-5,9%) reflete a baixa rentabilidade do cereal.
Também a safra de feijão apresenta estimativa de produção positiva, pois, segundo a Conab, o plantio da primeira safra foi favorecido pela maior incidência de chuvas na região oeste do estado e pela baixa incidência de pragas (mosca-branca). Nesse sentido, o volume estimado é de 343 mil toneladas (plantado em 389 mil ha) e representa um aumento de 17,9% em relação ao ciclo 2024/2025. O avanço na produção é esperado para a primeira e terceira safra do grão, com crescimento de 34,6% e 70,3%, respectivamente, em relação às safras correspondentes do ciclo 2024/2025.
A produção de sorgo também tem estimativas positivas para a safra 2025/2026, com aumento na produção de 2,1%, alcançando 798 mil toneladas.
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