O início de 2026, tradicionalmente associado a resoluções como reorganizar as finanças, poupar e dar os primeiros passos no mundo dos investimentos, também tem revelado um movimento silencioso e preocupante: a escalada de fraudes e golpes digitais voltados a investidores, sobretudo iniciantes. O alerta ganhou ainda mais força após o desdobramento de uma fraude bilionária envolvendo uma grande instituição financeira brasileira, considerada um dos episódios mais emblemáticos recentes do sistema financeiro.
A liquidação extrajudicial da instituição, determinada pelo Banco Central no fim de 2025, e as investigações da Polícia Federal sobre a emissão de títulos fraudulentos, com impacto estimado em mais de R$ 12 bilhões, expuseram não apenas falhas de governança, mas também abriram espaço para uma nova onda de golpes, agora focados em investidores que aguardam ressarcimentos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Desde então, autoridades e o próprio FGC passaram a alertar para o aumento de mensagens falsas, sites clonados e aplicativos maliciosos que simulam comunicações oficiais e prometem acelerar pagamentos ou liberar valores mediante o fornecimento de dados pessoais ou cobranças indevidas.
Para André Bobek, fundador da Mhydas Planejamento Financeiro, o problema vai além do ambiente digital e reflete uma fragilidade recorrente do investidor brasileiro em momentos de transição econômica.
“O início do ano concentra expectativa, movimentação financeira e decisões importantes. Esse combo cria o cenário ideal para golpes cada vez mais sofisticados, que exploram tanto a falta de informação quanto a confiança nas instituições”, afirma Bobek.
Segundo ele, o caso dessa instituição surge como um alerta estrutural para o mercado.
“Não se trata apenas de um episódio isolado. É um sinal de que o investidor precisa olhar além da rentabilidade prometida e entender riscos, governança e quem está por trás das operações. Educação financeira hoje também é educação digital e comportamental”, diz.
Entre os golpes mais recorrentes estão pedidos de pagamentos antecipados, solicitações de senhas e códigos de autenticação, além do uso de aplicativos não oficiais que instalam malwares capazes de capturar dados bancários. Bobek reforça que nenhuma instituição financeira ou fundo garantidor solicita esse tipo de informação por mensagens ou redes sociais.
“Evitar um golpe pode ter o mesmo impacto financeiro que um bom investimento. Em muitos casos, preservar o patrimônio é a decisão mais estratégica que o investidor pode tomar”, completa.
Para especialistas, a combinação entre digitalização acelerada, entrada de novos investidores e maior complexidade dos produtos financeiros torna o tema central para 2026. A tendência é que fraudes se tornem mais direcionadas, personalizadas e difíceis de identificar, exigindo atenção redobrada tanto dos investidores quanto das instituições.
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