Com as turbulências no cenário internacional agravadas pela guerra no Oriente Médio, as exportações baianas atingiram US$ 801,7 milhões em março, menor valor para o mês desde 2021, representando uma queda de 20% em comparação com igual mês de 2025. A análise foi realizada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O fator que puxou para baixo as receitas foi o volume de embarques, que registrou um recuo de 26,4%, já que os preços médios aumentaram 8,6% no comparativo interanual. A redução no quantum ocorreu principalmente nos derivados de petróleo (-84,6%), fruto da imposição de imposto de exportação para alguns itens pelo governo. A medida busca mitigar os efeitos econômicos da recente escalada do preço internacional do petróleo e da sua alta volatilidade. A soja também registrou queda nas exportações, possivelmente em razão da redução do rendimento médio. Já a celulose foi impactada por reajustes de preços e por mudanças na demanda no longo prazo.
No geral, houve estabilidade nos embarques da agropecuária (0,7%), diferente de todos os demais setores, que registraram recuo, com destaque para a indústria extrativa (-49,3%), influenciada pela ausência de embarques de minério de cobre e níquel, no mês, e para a indústria de transformação (-40,3%), devido à queda nos embarques de derivados de petróleo, celulose e derivados de cacau.
Entre os principais destinos, houve incremento das exportações baianas para o Canadá e a União Europeia. Mas caíram os embarques para a China e os Estados Unidos, considerados mercados tradicionais para as vendas externas estaduais. No caso dos norte-americanos, a queda é ainda creditada aos efeitos da política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto, no caso da China, às compras menores de soja e celulose.
Já as importações tiveram aumento de 20,7% em março, com expansão pelo terceiro mês consecutivo, motivada pelo nível da atividade econômica, que tem apresentado resiliência, e pelo aumento dos preços internacionais.
Houve alta de 1.278,6% na chegada ao estado de bens de consumo, essencialmente de carros chineses, que deve ter se intensificado após decisão do governo, atendendo ao pleito da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de extinguir, em 31 de janeiro deste ano, a isenção temporária do imposto de importação para veículos elétricos desmontados. Com isso, com a modalidade volta a fazer parte do cronograma gradual de elevação tarifária para carros elétricos híbridos e importados, que deve atingir a alíquota máxima de 35% a partir de janeiro de 2027.
Também houve aumento de 70,2% nas compras de bens de capital (máquinas e equipamentos), essenciais para a modernização e ampliação da capacidade produtiva das empresas, estando relacionadas a uma maior demanda local por investimentos em equipamentos de infraestrutura e industriais de longo prazo. O setor de bens intermediários, majoritário na pauta (51,4% de participação das compras no trimestre), seguiu estável, com leve queda de 1,8%, acompanhando o ritmo lento da produção industrial (decrescimento de 1% no acumulado dos últimos doze meses).
Com os resultados de março, as exportações baianas atingiram, no trimestre, US$ 2,47 bilhões, com redução de 11,2% no comparativo interanual, enquanto as importações acumularam US$ 2,62 bilhões, com alta de 10% no mesmo comparativo. Com isso, o estado apresentou um déficit comercial de US$ 149,4 milhões no período, contra um superávit de US$ 398,7 milhões em igual período do ano anterior. A corrente de comércio foi a US$ 5,09 bilhões, com queda de 1,4%.
Foto: Victor Britto/Porto de Salvador
