Após anúncio da aprovação do acordo Mercosul União Europeia por parte do Conselho da UE, o tratado cria a maior área de livre comércio do mundo. Mesmo com a resistência de ambientalistas e o setor agrícola europeu, o tratado deve ser assinado no próximo dia 17, em Assunção, no Paraguai.
Trata-se de mais de 26 anos de discussões entre os países membros dos blocos que, mesmo após a assinatura vai precisar ser aprovado no Parlamento Europeu.
No Brasil, entidades empresariais se manifestaram sobre o acordo.
A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) avalia que a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia tem importância estratégica para ambos os blocos, ao ampliar a oferta e reforçar a segurança alimentar e energética da União Europeia em um cenário geopolítico global desafiador.
Para o Mercosul, na visão da entidade, o Acordo deve impulsionar o crescimento econômico por meio da facilitação de investimentos e da redução ou eliminação de tarifas sobre produtos sul-americanos, além de consolidar o bloco como potência energética, alimentar e ambiental, ampliando sua capacidade de promover o desenvolvimento sustentável.
“Abrem-se oportunidades nas áreas de novos combustíveis e tecnologias de processos industriais, com mais cooperação do que competição, integração de inovações em serviços digitais e fortalecimento dos instrumentos da democracia. Mais mercado, melhor cooperação e maior participação do setor privado no desenvolvimento sustentável. É o momento de, junto às lideranças empresariais do Mercosul e da União Europeia, formalizarmos um Roadmap. Voltamos a visualizar uma agenda União Europeia–Mercosul para mais 25 anos”, afirma o executivo.
Para a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia trata-se de um marco estratégico para a indústria química brasileira, ao ampliar o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo, estimular investimentos, fortalecer a inovação e impulsionar uma agenda de sustentabilidade alinhada aos princípios ESG.
“O acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado. Ele amplia o acesso a mercados, incentiva o intercâmbio tecnológico e cria um ambiente mais previsível e moderno para investimentos, especialmente em áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa”, afirma André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim.
Segundo ele, o tratado também contribui para elevar os padrões regulatórios e de governança do setor. “Ao incorporar temas como sustentabilidade, propriedade intelectual e comércio leal, o acordo reforça práticas responsáveis e aproxima a indústria química brasileira das exigências do mercado europeu, o que é fundamental para a competitividade de longo prazo”, destaca.
ABIT vê oportunidades para o setor têxtil
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) manifestou sua satisfação pelo acordo ressaltando que ele abre oportunidades para o setor têxtil e de confecções.
“Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, esse acordo traz múltiplas oportunidades: Expansão do comércio de bens manufaturados e têxteis com países que possuem práticas justas de comércio; Aumento de investimentos e cooperação tecnológica; Cooperação na área de sustentabilidade. Maior proximidade do bloco europeu nas discussões sobre regulamentos voltados para o setor têxtil e de confecção que vem avançando; Diálogo cultural e fortalecimento de setores criativos; Qualificação e desenvolvimento de pessoas”, dizia a nota.
A entidade apontou que o acordo também tem implicações estratégicas para diversificação de parcerias e redução de vulnerabilidades frente a choques externos. “Ao integrar cadeias de valor entre América do Sul e Europa, o Mercado Comum do Sul e a União Europeia avançam em direção a um modelo de comércio baseado em maiores sinergias e intercâmbio de longo prazo. A ABIT celebra essa evolução no relacionamento multilateral e reafirma seu compromisso com iniciativas que promovam crescimento econômico, geração de emprego, modernização da indústria e integração produtiva global”.
Foto IA Gemini Google
