A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) abriram as inscrições para o edital E-commerce.BR 2026, que vai apoiar projetos voltados à ampliação da presença digital de micro, pequenas e médias empresas nas vendas on-line. Com R$ 3,9 milhões em recursos, a iniciativa premiará soluções que fortaleçam o comércio eletrônico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
A principal novidade desta edição é a inclusão dos microempreendedores individuais (MEIs) entre os públicos atendidos pelas iniciativas apoiadas. As inscrições estão abertas até 5 de maio, na página oficial do programa.
A iniciativa busca reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso de empresas dessas regiões aos canais digitais. Embora o comércio eletrônico siga em expansão no Brasil, a distribuição regional das vendas ainda é fortemente concentrada.
Em 2024, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 225 bilhões, crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior. O Sudeste lidera com 77,2% das vendas on-line, seguido pelo Sul (14,1%), Nordeste (5,5%), Centro-Oeste (2,5%) e Norte (0,6%), o menor percentual entre todas as regiões do país, segundo dados do Observatório do Comércio Eletrônico do MDIC.
“O comércio eletrônico é uma porta de entrada para que pequenos negócios ampliem mercados, reduzam custos e operem de forma contínua, com acesso a dados estratégicos sobre seus clientes. Nosso objetivo é garantir que empresas dessas regiões participem de forma mais ativa desse mercado que só cresce no país”, afirma Adryelle Pedrosa, gerente de Transformação Digital da ABDI.
Inclusão de microempreendedores individuais (MEIs)
Pela primeira vez, o edital passa a contemplar os microempreendedores individuais (MEIs) entre os públicos beneficiados. Atualmente, o Brasil possui mais de 12 milhões de MEIs ativos, que representam mais da metade das empresas do país. A ampliação do escopo do edital busca apoiar esse público no acesso ao comércio eletrônico, fortalecendo sua capacidade de vender on-line, ampliar mercados e utilizar ferramentas digitais de forma estratégica para geração de renda e sustentabilidade dos negócios.
“Além de fortalecer micro, pequenas e médias empresas, estruturamos o edital para também atender os MEIs, que têm um papel fundamental na geração de renda no país e precisam de apoio para ampliar sua inserção no comércio eletrônico”, reforça Adryelle Pedrosa.
Redes de inovação
O edital E-commerce.BR 2026 tem como um de seus principais diferenciais o estímulo à formação de redes de inovação. As propostas devem ser apresentadas por consórcios com, no mínimo, três instituições sem fins lucrativos, como universidades, associações, órgãos públicos e instituições de ciência, tecnologia e inovação (ICTs), além de incluir startups como parceiras tecnológicas.
As soluções propostas podem envolver tecnologias, metodologias ou serviços, desde que enfrentem desafios concretos do comércio eletrônico, como logística, acesso a marketplaces, meios de pagamento, marketing digital, análise de dados e capacitação empresarial.
A seleção será realizada em três etapas. Inicialmente, 16 projetos serão escolhidos e passarão por um processo de aprimoramento metodológico com apoio técnico da ABDI. Em seguida, oito iniciativas avançarão para a fase piloto, com execução de até seis meses e atendimento mínimo de 60 empresas. Nessa etapa, os aportes do edital variam entre R$ 345 mil e R$ 380 mil, conforme a classificação dos projetos. Ao final, duas iniciativas seguirão para a etapa de escala, com aporte de R$ 500 mil cada para ampliar o atendimento a pelo menos 120 empresas.
Para o MDIC, o programa integra uma agenda estratégica de transformação produtiva. “O programa está diretamente alinhado à Missão 4 da Nova Indústria Brasil, que trata da digitalização do setor produtivo. Estamos falando de uma agenda estruturante, que conecta comércio, serviços e indústria à economia de dados, à inteligência artificial e às novas tecnologias. Acredito que o comércio eletrônico é um dos principais vetores para elevar a produtividade das empresas brasileiras e reduzir desigualdades porque amplia o acesso a mercados e estimula a transformação digital das empresas”, afirma Luis Felipe Giesteira, secretário-adjunto de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços.
Foto andrewlloydgordon/Pixabay
