Economistas se manifestam após IBGE apontar inflação em janeiro 0,20%, sinalizando queda

Você está visualizando atualmente Economistas se manifestam após IBGE apontar inflação em janeiro 0,20%, sinalizando queda

Economistas do mercado financeiro se manifestaram após o IBGE anunciar a prévia da inflação do primeiro mês do ano, ficando em 0,20%, com redução de 0,05 ponto percentual (p.p.) em relação à prévia de dezembro. Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o IPCA-15 de janeiro confirma uma inflação ainda sob controle na margem, com alta de 0,20%, levemente abaixo dos 0,22% esperados pelo mercado, mas traz um sinal de alerta importante na composição. “O avanço do índice em 12 meses para 4,50% reflete, em parte, um efeito estatístico ligado à base fraca do início de 2025, mas também evidencia pressões sazonais mais fortes em alimentação. O alívio vindo das passagens aéreas ajuda a conter o número cheio, porém não altera o diagnóstico central: os núcleos seguem resilientes, com serviços subjacentes e bens industrializados mostrando persistência. Para o Banco Central, o dado reforça a necessidade de cautela, já que a inflação subjacente ainda não permite discutir corte na taxa Selic no curto prazo. Diante desse quadro, o dado reforça a expectativa de que o Copom mantenha a taxa Selic na reunião desta quarta-feira, preservando uma postura cautelosa até que haja sinais mais consistentes de desaceleração da inflação subjacente”.

Na visão de Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine, “No acumulado de doze meses, a prévia da inflação oficial acumula alta de 4,50%. A média das medidas de núcleo ficou em 0,43%, abaixo do observado no mesmo mês de 2024 (+0,66%). Por ora, mantemos a nossa estimativa para o IPCA de janeiro em 0,35%, mas reconhecemos leve viés de baixa. Para 2026, estimamos inflação de 3,8% com riscos equilibrados.

Pedro Kopstein, sócio da joint venture da incorporadora LIV Inc – Kopstein, entende que com uma inflação em níveis controlados, como o IPCA-15 em 0,20% divulgado nesta terça-feira, 27, traz previsibilidade ao mercado, o que favorece o setor imobiliário, que requer planejamento de grandes aportes. No segmento de altíssimo padrão, como o que atuamos na incorporadora LIV Inc-Kopstein, esse cenário tende a favorecer os ativos reais, especialmente quando o investidor passa a olhar menos para a volatilidade mensal e mais para os fundamentos de longo prazo. “Historicamente, o ritmo de valorização do ativo real em localizações exclusivas supera a inflação, oferecendo proteção patrimonial com um estilo de vida que o mercado financeiro não replica. A inflação sob controle ratifica que este é um bom momento para a diversificação em ativos físicos de alto valor agregado.”

Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos observa: “No detalhamento por aberturas, o grupo de serviços apresentou uma composição menos negativa, com destaque para o item seguro voluntário de veículos, que ficou abaixo do projetado. Vale ressaltar, contudo, que o núcleo de serviços segue pressionado e permanece incompatível com a meta. Por outro lado, já tínhamos uma visão mais pessimista do que a do mercado em relação aos bens industriais, que acabaram acelerando de forma mais expressiva, revertendo os patamares mais baixos observados ao final do ano passado. O resultado não altera o viés da projeção anual, que permanece em 4,1%.

Já Rodrigo Marques, economista-chefe na Nest Asset Management, “O IPCA-15 divulgado hoje veio abaixo do consenso. Os núcleos de inflação apresentaram resultados quantitativamente piores. Ainda assim, a trajetória de desinflação permanece, apesar de alguns soluços sazonais. Dessa forma, mantemos o cenário de redução da taxa Selic em 25 pontos-base em março”.

Foto pikisuperstar/Freepik

Compartilhe:

Deixe um comentário