Crescimento de MEIs em 2025 reflete protagonismo da população diante da instabilidade econômica

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O Brasil ultrapassou a marca de 2,8 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) formalizados entre janeiro e junho de 2025, segundo dados do Simples Nacional. O número representa um crescimento expressivo de 24,9% em relação ao mesmo período do ano passado e consolida o MEI como principal porta de entrada para a formalização de negócios no país. Em maio, por exemplo, foram mais de 409 mil novos registros, evidenciando o apetite crescente pelo empreendedorismo.

O avanço está ligado a diversos fatores, incluindo a dificuldade de recolocação no mercado de trabalho formal. “Embora a taxa de desemprego tenha recuado para 6,6%, grande parte da geração de renda no país ainda ocorre por meio da informalidade. O MEI tem sido o caminho para transformar esses ‘bicos’ em atividades legais e sustentáveis”, explica Kályta Caetano, head contábil da MaisMei.

Atualmente, o Brasil soma mais de 16 milhões de MEIs ativos, representando cerca de 70% de todas as empresas registradas no país. Porém, a mortalidade desses negócios continua alta: só no primeiro semestre de 2025, mais de 1,8 milhão de MEIs deram baixa — o que corresponde a aproximadamente 64% das formalizações no mesmo período. Isso evidencia a fragilidade de muitos negócios recém-criados.

Na avaliação de Kályta Caetano, a elevada taxa de mortalidade dos MEIs não indica, necessariamente, o fracasso do empreendedorismo, mas sim os inúmeros desafios enfrentados por quem busca autonomia por meio da formalização. “Muitos microempreendedores esbarram na falta de planejamento, ausência de capital de giro, dificuldades para conquistar clientes com regularidade e desconhecimento sobre obrigações fiscais. Além disso, boa parte atua sozinha, acumulando funções e sem apoio técnico para tomar decisões estratégicas”, analisa a executiva. Ainda assim, ela ressalta que o movimento revela a resiliência de uma população que continua buscando alternativas legais para gerar renda. “Formalizar um serviço e emitir nota são sinais de protagonismo. O MEI não é milagre, mas é um instrumento real para conquistar autonomia e se organizar financeiramente”, comenta Kályta.

Entre os setores que mais impulsionam novas formalizações está o de serviços — responsável por cerca de 64% dos registros, segundo o Sebrae. Entregadores, motoristas de aplicativo, designers e especialistas em marketing digital encontram no MEI uma forma de atuação compatível com a economia sob demanda e o trabalho remoto.

Além disso, o processo de abertura totalmente digital, o baixo custo tributário e os benefícios previdenciários têm estimulado cada vez mais autônomos a migrarem para a formalidade. Outro fator que tem contribuído para o avanço do modelo é a segurança jurídica e a inclusão econômica promovida pelo regime. Ao se tornar MEI, o profissional ganha acesso a direitos básicos como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade — sem abrir mão de programas sociais como o Bolsa Família.

Para a especialista, o aumento de MEIs em 2025 reflete menos um momento econômico favorável e mais a ação direta da população diante das lacunas deixadas pelo mercado formal. “O crescimento mostra que o brasileiro está buscando caminhos próprios, mesmo com poucos recursos. O que precisamos agora é de mais apoio e educação empreendedora para que esses negócios se sustentem no médio e longo prazo”, finaliza Kályta.

Foto Gemini Google

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