Alta do petróleo e instabilidade global pressionam custos da indústria de tintas no Brasil

Você está visualizando atualmente Alta do petróleo e instabilidade global pressionam custos da indústria de tintas no Brasil

O cenário geopolítico internacional tem provocado efeitos diretos na indústria brasileira, especialmente em setores dependentes de derivados do petróleo, como o de tintas. Conflitos recentes no Oriente Médio têm impulsionado a alta do petróleo e gerado instabilidade nas cadeias globais de suprimentos, pressionando custos de produção, prazos logísticos e estratégias operacionais das empresas.

Nos últimos meses, o barril do petróleo voltou a operar em patamares elevados, pressionando toda a cadeia petroquímica global. Como consequência, insumos essenciais para a fabricação de tintas, como resinas e solventes, registraram aumentos significativos, acompanhados pela valorização do dólar e pela instabilidade nos fretes internacionais.

“Os valores dos fretes internacionais são alterados quase diariamente, então não temos como prever alguns custos antecipadamente. Como consequência, vamos ter que reforçar os níveis de estoque dos itens mais expostos a esses impactos e adotar um planejamento ainda mais estratégico e prudente, minimizando ao máximo os reflexos para os nossos clientes”, explica Filipe Pinto, diretor de compras da Hidrotintas, indústria com atuação no Norte e Nordeste.

De acordo com o executivo, os principais insumos afetados são a resina acrílica, base para fabricação de tintas à base de água, massas, texturas, o aguarrás que é utilizado na produção dos esmaltes sintéticos e as embalagens plásticas. Diante do cenário, a principal estratégia é priorizar o mercado nacional, reduzindo a dependência de importações e a exposição às oscilações do dólar e aos riscos da logística internacional, como atrasos e altos custos de frete.

“Em relação ao dólar, para garantir maior previsibilidade e segurança nos custos, utilizamos, na maioria das operações internacionais, instrumentos financeiros de proteção cambial, como o hedge, reduzindo os efeitos das oscilações da moeda estrangeira”, pontua.

A indústria química — base para o setor de tintas — é uma das mais sensíveis às oscilações do petróleo, já que grande parte dos seus insumos deriva diretamente dessa commodity. Além disso, o transporte de mercadorias, dependente do diesel no Brasil, amplia o efeito sobre os preços finais.

Na Hidrotintas, esse cenário já resultou em um reajuste de preços entre 8% e 10%, refletindo a elevação dos custos operacionais. A empresa destaca que o impacto vai além da matéria-prima e atinge toda a cadeia logística, o que pode influenciar na disponibilidade de insumos.

“Esse impacto vai muito além do aumento de custos, ela desestrutura toda a cadeia de suprimentos, causando atrasos, falta de insumos, instabilidade nas operações logísticas. Em relação a disponibilidade de insumos, eu não vejo uma ruptura total, mas pode ter uma escassez, para isso já estamos nos antecipando e negociando com os nossos fornecedores para que a Hidrotintas esteja abastecida neste período de instabilidade”, finaliza Filipe.

Foto Gemini Google

Compartilhe:

Deixe um comentário