Nos últimos anos, a relação comercial entre Brasil e China se consolidou como o principal eixo do comércio exterior brasileiro. Dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostram que, em 2025, o fluxo total de exportações e importações entre os dois países alcançou US$171 bilhões. No mesmo período, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registrou que a China respondeu por 25,3% de todas as importações brasileiras, consolidando-se como a principal origem dos produtos adquiridos pelo país no exterior.
Apesar da força e do crescimento contínuo dessa relação comercial, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais para sustentar e expandir suas operações de comércio exterior. Um dos principais entraves é o acesso ao financiamento: segundo estimativas do Banco Mundial, o país apresenta um déficit de cerca de US$49 bilhões em financiamento ao comércio exterior.
Esse déficit, no entanto, faz parte de um desafio mais amplo. Ainda de acordo com o Banco Mundial, a lacuna total de financiamento para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), especificamente, no Brasil chega a aproximadamente US$600 bilhões. Nesse contexto, as empresas de médio porte desempenham um papel particularmente estratégico na economia brasileira. De acordo com a Fundação Dom Cabral, as empresas médias, apesar de representarem menos de 1% do total de empresas no Brasil, exercem um papel desproporcionalmente relevante, respondendo por 20% dos empregos formais (CLT) e 25% da massa salarial total do país. Seu forte desempenho financeiro — com faturamento médio de R$80 milhões, margens de EBITDA de 24% e margens líquidas de 9% — reforça sua posição como um motor-chave de crescimento. Nesse cenário, o acesso restrito ao crédito torna-se uma barreira crítica, afetando diretamente a capacidade do Brasil de escalar, expandir e diversificar seus fluxos comerciais ao restringir um segmento central para o desenvolvimento econômico e comercial do país.
Diante desse contexto, mecanismos internacionais voltados à mitigação de riscos no comércio exterior ganham relevância. A China, por exemplo, conta com um instrumento estatal específico para mitigar riscos e facilitar as transações de comércio exterior: a SINOSURE, seguradora de crédito à exportação controlada pelo governo chinês. A instituição oferece cobertura contra o risco de inadimplência em transações internacionais, permitindo que exportadores chineses ofereçam prazos de pagamento estendidos diretamente a compradores estrangeiros. Essa estrutura possibilita que importadores tenham acesso a crédito comercial junto aos fornecedores, sem depender de financiamento bancário, exigência de garantias ou dos custos tradicionais de financiamento.
Em 2024, a SINOSURE segurou mais de US$860 bilhões em crédito à exportação de curto prazo, dentro de um volume total de seguros que superou US$1,02 trilhão em todas as linhas de produtos. O seguro de crédito à exportação de curto prazo respondeu por aproximadamente 24% do total das exportações de mercadorias da China.
No Brasil, a Axton Global atua como facilitadora, apoiando importadores brasileiros na utilização de crédito comercial respaldado pela SINOSURE nas operações de compra junto à China. “Hoje, esse instrumento se tornou uma alternativa relevante para importadores brasileiros acessarem prazos de pagamento diferidos de 90 a 120 dias diretamente com fornecedores chineses, por meio do crédito comercial com cobertura da SINOSURE. Ao estabelecer um limite de crédito junto à organização, as empresas conseguem negociar prazos estendidos com exportadores chineses, otimizando a gestão do fluxo de caixa e reduzindo a pressão de curto prazo sobre o capital de giro. Como a China é o principal parceiro comercial do Brasil, soluções que facilitam esse tipo de crédito tendem a desempenhar um papel cada vez mais estratégico no fortalecimento dos fluxos comerciais bilaterais”, afirma Igor Sokolov, Sócio-Diretor da Axton Global.
Ele acrescenta que o modelo é amplamente utilizado na Ásia, mas ainda pouco conhecido no Brasil. “Na prática, o que acontece é que muitos importadores precisam pagar os fornecedores antes mesmo de receber as mercadorias ou recorrer a crédito caro, deixando seus recursos comprometidos por meses. Com a SINOSURE, o importador recebe os produtos primeiro e paga depois, sem que o fornecedor fique exposto ao risco de inadimplência, já que a operação é respaldada por uma garantia que cobre a transação. Dessa forma, o importador ganha fôlego no fluxo de caixa, o fornecedor tem mais segurança para vender a prazo, os custos financeiros caem e toda a operação se torna mais previsível para ambas as partes”.
Por que o crédito chinês pode ser uma alternativa estratégica para empresas brasileiras?
A principal diferença entre o crédito estruturado na China e os modelos tradicionais utilizados no Brasil está na origem do financiamento. O Finimp, por exemplo, é uma linha de financiamento à importação concedida por bancos, na qual a instituição financeira paga o fornecedor estrangeiro e o importador brasileiro assume uma dívida com o sistema financeiro local, utilizando seu limite de crédito no Brasil.
A SINOSURE, por outro lado, opera sob uma lógica distinta, em que o crédito se origina na própria China, como parte da política de apoio às exportações do país. Ao garantir o risco de inadimplência, o instrumento permite que fornecedores chineses vendam a prazo com maior segurança, reduzindo a dependência das empresas brasileiras em relação às linhas bancárias domésticas e preservando o capital de giro.
“Para a China, financiar exportações é política industrial. Ao acessar estruturas como a SINOSURE, as empresas brasileiras se conectam a um modelo desenhado para expandir o comércio exterior e fortalecer as relações bilaterais. Na prática, trata-se de uma solução menos burocrática para os importadores e especialmente atrativa para empresas de médio porte, que enfrentam maiores restrições de crédito no Brasil”, explica Sokolov.
AXTON GLOBAL
Fundada em 2008, a Axton Global é uma empresa especializada em serviços de financiamento comercial para companhias que importam mercadorias da China. A empresa atua no fornecimento de liquidez para cadeias globais de suprimentos, com o apoio da Corporação Chinesa de Seguros de Crédito e Exportação (SINOSURE). Por meio do Seguro de Crédito Sinosure, a Axton Global auxilia compradores de diferentes mercados a negociar melhores condições de pagamento com fornecedores chineses, otimizar o fluxo de caixa e tornar suas operações mais eficientes.
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