A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA) emitiu comunicado sobre a questão do tarifaço de 50% para as exportações brasileiras com destino aos EUA. A entidade alertou que mais de 70% das exportações brasileiras de pescado têm como destino os Estados Unidos, e a continuidade da tributação compromete empregos de mais de 20 mil trabalhadores da indústria e a sobrevivência de quatro milhões de pessoas que dependem da cadeia produtiva pesqueira, além de citar o setor como um dos pilares fundamentais da segurança alimentar.
“Sem exportações, as indústrias que empregam mais de 20 mil funcionários irão enfrentar sérias consequências que podem ensejar demissões em massa. O mercado europeu, que poderia ser uma alternativa, está fechado para a pescado brasileiro desde 2017”, completou Eduardo Lobo, presidente da ABIPESCA.
O pronunciamento ocorreu após a participação da Associação nesta terça-feira, 15, em reuniões estratégicas em Brasília com representantes do governo federal e de outros setores produtivos, em busca de uma solução para reverter os impactos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
“Não temos plano B. O setor de pescados depende quase que exclusivamente do mercado norte-americano para exportação. O mercado interno não é capaz de absorver tamanho volume. Precisamos que o pescado seja tratado com excepcionalidade e seja removido da lista de tributação”, afirmou Eduardo Lobo.
Especificidades do setor
O presidente da ABIPESCA mencionou que deve ser levado em consideração as especificidades da atividade de pesca no país que impactam com maior gravidade na situação. Ele citou, por exemplo, os períodos de defesa e o amplo ambiente regulatório ao qual o setor é submetido.
A ABIPESCA pediu que o governo brasileiro atue junto ao governo norte-americano pela exclusão dos pescados da medida tarifarica ou, numa prorrogação por no mínimo 90 dias para o início da tributação, para que o setor possa buscar alternativas e evitar o colapso.
“Não somos concorrentes do mercado americano. Somos um complemento artesanal, que chega com qualidade superior e depende das exportações para sobreviver. Uma tarifa de 50% representa o colapso de milhares de sonhos e compromissos já reforçados”, reforçou o presidente da entidade.
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